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Setor de irrigação cresceu após perdas com estiagem

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Períodos de baixas precipitações pluviométricas evidenciam a importância de investir na proteção

Períodos de baixas precipitações pluviométricas evidenciam a importância de investir na proteção

A última grande estiagem enfrentada pelos produtores rurais do Estado, em 2012, acendeu o alerta para a importância dos projetos de irrigação. Foi em 2012, também, que o governo gaúcho lançou o programa Mais Água Mais Renda, vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócios (Seapa). O reflexo da ação e do empenho dos agricultores gerou efeito não só sobre a safra, mas também respingou no setor de máquinas e implementos agrícolas.

“Vemos que a irrigação evolui em momentos de dificuldades, como foi a estiagem”, pontua o coordenador da Divisão Técnica do Senar Rio Grande do Sul, João Telles. Ele defende que o cenário ideal é que em todo o País os produtores tenham 30% da área irrigada, independentemente da cultura. Por isso, Telles vê com bons olhos os programas de fomento. “O governo constatou que o PIB, depois das estiagens, foi negativo pela falta de produção”, justifica, lembrando que o risco não é só de prejuízos individuais, mas afeta toda a economia.

O coordenador do Senar-RS acrescenta que “historicamente, os gargalos que emperram projetos de irrigação são as licenças ambientais, energia elétrica e crédito”. Hoje, as facilidades para conquista de maquinários por parte dos proprietários é maior.

Nesse sentido, a proposta do programa Mais Água, Mais Renda traz contribuição tanto para subvenção quanto para a desburocratização de projetos. Desde 2012, o Estado ampliou a área irrigada para 170 mil hectares. O programa estadual responde pelo incentivo a 81 mil hectares desse total, comenta o secretário-adjunto da Agricultura, Aureo Mesquita. “Têm chegado muitos projetos na Secretaria da Agricultura. Já ultrapassamos 1,5 mil projetos e mais de 3 mil solicitações de adesão ao programa desde 2012”, afirma. Isso quer dizer que há ainda um número considerável de processos a serem liberados pela pasta, sustenta.

Empresários do ramo de equipamentos para irrigação comemoram: “Podemos dizer que 60% das nossas vendas vêm do Mais Água Mais Renda”, contabiliza Sigfried Qwast, diretor-presidente do Grupo Fockink. A companhia atua há 60 anos no ramo de equipamentos agrícolas e pretende consolidar a mais nova solução desenvolvida para irrigação durante a 37ª Expointer. “Temos um pacote tecnológico que chamamos de supremo, que aumenta a eficiência, com redução de despesas, além de ter um menor custo de manutenção.”

O pacote supremo já está no mercado, com crescimento nas taxas de vendas de 5%, quando foi lançado há seis meses, para atuais 15%. Com as apresentações na Expointer, o grupo projeta fazer com que o equipamento contabilize 50% de todas as vendas efetuadas. As expectativas são elevadas tanto em função da novidade quanto em razão das melhores perspectivas para a empresa na feira neste ano. No ano passado, o estande da Fockink ficou debaixo d’água com a inundação do parque. “Mesmo assim, improvisamos e batemos recorde de vendas. Neste ano não vai ter mais problema de inundação, porque tem barragem. Portanto, esperamos superar as vendas do ano passado, que já foi espetacular.”

Comercialização de equipamentos deve ser menor

O setor de máquinas agrícolas fechará o ano com retração de 10% a 12%, aponta o presidente do Sindicato de Máquinas de Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier. “O principal fator a influenciar esse cenário resulta da queda das exportações para a Argentina, o terceiro maior produtor de grãos do mundo”, pontua. Bier lembra que a balança comercial entre os dois países, já prejudicada por questões de fronteira, vive um momento ruim com o agravamento da crise econômica no país vizinho. “A Argentina sempre foi um grande parceiro do nosso setor e é difícil compensar agora.”

A base de comparação também impacta nas perspectivas para este ano. Bier esclarece que os resultados de 2013 foram excepcionais, graças à grande safra, bons preços e juros reduzidos. “É uma situação que dificilmente vai se repetir. As condições agora não são tão favoráveis.” De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em 2013, as vendas internas de máquinas agrícolas no atacado totalizaram mais de 83 mil unidades, alta de 18,4% sobre 2012. As exportações alcançaram 15,61 mil máquinas agrícolas em 2013, queda de 7,7% sobre 2012 (porém, com elevação de 23,2% em valores, totalizando US$ 3,553 bilhões).

Se chegar aos mesmos resultados globais é difícil, o mesmo não pode ser dito sobre a 37ª edição da Expointer. “Temos a esperança e o desejo de fechar com os mesmos números do ano passado”, incita. A comparação também é elevada. Em 2013, a feira foi encerrada com perspectiva de negócios da ordem de R$ 3,27 bilhões. “Tenho esperança de repetir os números do ano passado em função das inovações, já que os lançamentos são feitos na Expointer, que é a grande feira do segundo semestre.”

A feira gaúcha é uma vitrine já consagrada no lançamento de equipamentos. “A Expointer é nossa oportunidade de encontro com clientes, revendedores e fornecedores no segundo semestre, afinal é a única feira realmente expressiva nesse período para o nosso meio”, comenta Assis Strasser, presidente da GTS do Brasil, que lança, nesta edição, a carreta Upgrain Four in One.

O equipamento consegue fazer quatro operações, explica Jonathan Fernandes, coordenador de Marketing da marca. As ações realizadas pela máquina são de coleta de grãos comerciais, coleta de sementes, abastecimento com fertilizantes e abastecimento com sementes. “Hoje, a tendência é otimizar a produção com equipamentos que conseguem realizar operações diversas”, comenta Fernandes.

O coordenador de marketing prevê que a aceitação da máquina na feira será significativa em virtude da inovação proposta. “É um equipamento intuitivo quanto ao uso, porém ele quebra o paradigma de que uma graneleira tradicional não pode receber sementes.”

Fonte: Jornal do Comércio |

PEDRO REVILLION/PALÁCIO PIRATINI/JC