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Sem-terra levam temor a cientistas em invasão no Rio Grande do Sul

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Fonte:  Ruralbr

MST está há um mês em área da Fepagro em Vacaria e ocupa terras de unidade em Eldorado do Sul

A invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a uma área de pesquisa científica da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) em Vacaria, no Rio Grande do Sul, completou nessa quarta, dia 26, um mês sem previsão de que as 500 pessoas ali acampadas pretendam abandonar o local. Outros 200 sem-terra invadiram segunda-feira outra área da Fepagro, em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana. Acamparam num terreno com 480 hectares, usado para plantio de arroz, próximo à Estrada do Conde e a Guaíba. As duas ações geraram temor e revolta entre funcionários da Fepagro.

Os pesquisadores ressaltam que os sem-terra depredaram pelo menos uma lavoura experimental, de trigo, na área de Vacaria. E temem que em Eldorado do Sul sejam destruídos experimentos veterinários que levaram décadas para se concretizar. ZH falou com cinco experientes pesquisadores ligados ao Instituto Desiderio Finamor, vinculado à fundação. Todos se mostram horrorizados.

– Não há como garantir segurança nas pesquisas com invasores em volta. No passado, já ocorreram invasões por sem-terra e já tivemos gado de pesquisa aniquilado – diz um veterinário.

A presidente do Sindicato dos Veterinários do Estado, Maria Angélica Zolin – que atuava até um mês atrás no Instituto Desiderio Finamor – diz que o conceito de biossegurança perde efeito diante da invasão daquela área.

– Os animais ali são inoculados com vírus e têm carrapatos para experiência. Como vai garantir que anos de pesquisa não fiquem comprometidos com a presença de estranhos ali?

Laboratório de Eldorado é de última geração

Diretor-presidente da Fepagro durante o governo Yeda Crusius, o agrônomo Benami Bacaltchuk diz que a instituição é referencial em pesquisa no Brasil, com um laboratório de última geração em Eldorado do Sul e com carência crônica de funcionários. O especialista diz que as parcerias com plantadores privados viabilizam funcionários e verba para custeio de pesquisas, já que, de 183 concursados no final do ano passado pela Fepagro, apenas 30 foram chamados.

– É uma temeridade cogitar a entrega dessas áreas para reforma agrária. Por que fazer isso logo onde se pesquisa melhoria para todos os agricultores? – questiona Benami.

O atual diretor-presidente da Fepagro, Danilo Rheinheimer dos Santos, não se manifestou sobre as invasões.

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