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Sem surpresas, Copom eleva Selic para 12,25% e indica que aperto continuará

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Fonte:  Valor | Fernando Travaglini | De Brasília

Em linha as expectativas do mercado, o Banco Central (BC) decidiu ontem, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,25% ao ano. Foi a quarta alta consecutiva realizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando do presidente do BC, Alexandre Tombini. Desde o começo do ano, os juros subiram 1,5 ponto percentual. O texto do comunicado também foi bastante similar ao da reunião anterior, sinalizando novas altas dos juros.

"Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

O movimento não surpreende. Desde o último encontro do Copom, em abril, quando o BC afirmou que o ajuste demandaria tempo "suficientemente prolongado", o mercado esperava por novas altas dos juros de mesma intensidade. Havia dúvida apenas no tamanho do ciclo de alta dos juros. Ao manter a palavra "prolongado" no comunicado, o BC sinaliza que permanece a necessidade de um aperto monetário longo, com chance de nova alta da Selic na reunião de julho.

A única diferença foi a inclusão da palavra "gradual" no início do comunicado. "Dando seguimento ao processo de ajuste gradual das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% a.a., sem viés."

Nos próximos meses, o mercado ficará atento aos primeiros sinais de arrefecimento dos preços que começam a aparecer, o que poderia abrir espaço para questionamentos sobre a continuidade do aperto dentro do governo. A inflação, de fato, deve dar uma trégua. São esperados números bastante comportados do IPCA entre os meses de junho e agosto, com possibilidade até de deflação. Esse refresco, no entanto, será apenas temporário, de acordo com economistas, com o indicador retomando um nível entre 0,4% e 0,5% ao mês, a partir de setembro, segundo projeções coletadas junto ao mercado pelo Boletim Focus, do Banco Central.