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Seguro da seca nos EUA é de US$ 30 bilhões

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SÉRGIO ZACCHI/DIVULGAÇÃO/JC

Jensen, de Iowa, não está preocupado com a quebra da safra

Jensen, de Iowa, não está preocupado com a quebra da safra

Mesmo enfrentando a maior seca desde a década de 1930, com uma perda de 100 milhões de toneladas no milho e de 20 milhões na soja, os produtores rurais e as indústrias agrícolas dos Estados Unidos parecem estar menos preocupados com possíveis prejuízos financeiros causados pela seca do que os brasileiros, que também sofreram com estiagens no último verão. A principal justificativa para o clima de tranquilidade nos campos norte-americanos é o programa de seguro agrícola local, que permite renda apesar da quebra na colheita.
Se os produtores americanos estão tranquilos em relação à sua rentabilidade, as principais perdas geradas pelo clima deverão se manifestar nas companhias de seguro. De acordo com estudos da Universidade de Illinois, a estiagem nos Estados Unidos deverá gerar um total de US$ 30 bilhões em indenizações, criando prejuízos de US$ 18 bilhões. No entanto, mesmo as companhias de seguro parecem não estar muito preocupadas com a situação. “As empresas fazem resseguro para se protegerem contra perdas, então não têm que arcar com 100% das quebras. E parte dos prejuízos também será paga pelo governo”, garante Cameron Bishop, da Farmers Mutual Hail.
A ajuda governamental na cobertura dos prejuízos do setor será, na verdade, imensa. Conforme reportagem publicada pelo jornal Financial Times, o governo norte-americano deverá cobrir cerca de US$ 14 bilhões desses prejuízos, restando uma perda de US$ 4 bilhões para o setor privado. “A atividade principal de seguradoras é assegurar contra riscos, mas quando uma catástrofe acontece, pedem ajuda do governo para cobrir suas perdas. E o governo acaba pagando em torno de 60% dos prêmios de seguro agrícola. Ser uma seguradora agrícola nos EUA é um negócio bilionário”, aponta o analista de mercado Pedro Dejneka, da Futures International, de Chicago.
Segundo Dejneka, a grande quantia de indenizações gerada neste ano deverá ter reflexos no mercado de seguros para a safra de 2013, principalmente para os agricultores. “As seguradoras agora irão provavelmente aumentar de forma considerável os prêmios de seguros cobrados, para tentar tapar o buraco que a seca deixou.”

Modalidade é trunfo de 85% dos norte-americanos do campo

Aproximadamente 85% dos produtores norte-americanos contratam seguro agrícola. O governo dos Estados Unidas paga de 48% a 60% do valor contratado, fazendo com que os agricultores invistam pessoalmente apenas cerca de US$ 30,00 por acre (0,40 hectare). Em caso de desastres naturais,  será retornado um percentual calculado com base no referencial de preço do grão praticado no início da primavera ou do outono, dependendo da cultura segurada, e na média de produtividade da área.
Sem risco de que os produtores fiquem descapitalizados, as indústrias de máquinas agrícolas também não acreditam que a estiagem deverá influenciar em seus negócios. “Mesmo com a seca, a área plantada foi muito grande, e haverá muito o que ser colhido a preços elevados. E como a maioria dos agricultores possui seguro, terá renda suficiente para continuar a fazer os investimentos em tecnologia que precisa”, comenta John Elliot, diretor de marketing da New Holland para a América do Norte.
Outra empresa que está otimista é a John Deere. No trimestre entre maio e julho, quando a seca se manifestou, a companhia teve um crescimento de 28% nas vendas nos Estados Unidos e Canadá em relação ao mesmo período do ano passado. Ate o final do ano, a expectativa da empresa é de que a comercialização nos dois países cresça 10% em comparação a 2011.

Venda futura é risco calculado a quem produz

Para o fazendeiro John Jensen, de Ankeny, Iowa, a seca que atingiu o Meio Oeste vai representar mais uma oportunidade perdida do que prejuízos. Antes da estiagem, acreditando que o plantio de uma área recorde de milho nos Estados Unidos iria forçar o valor dos grãos para baixo, o produtor vendeu adiantado 60% de sua safra, a ser colhida a um preço fixo de US$ 5,50 por bushel (25,4 quilos). Agora, o preço do cereal supera os US$ 8,00. No caso da soja, Jensen já comercializou 80% de sua futura colheita a US$ 11,50 o bushel (27,2 quilos). “Hoje em dia, está sendo negociada a US$ 17,50. Não deveria ter vendido tanto antecipadamente, mas ninguém contava com essa seca, e a gente esperava que o preço fosse despencar.”
Com a estiagem, Jensen acredita que a produtividade de suas lavouras não deve passar de 150 bushels por acre no milho e de 45 bushels por acre na soja. Em um ano bom, o produtor consegue, nas duas culturas, até 185 e 65 bushels por acre, respectivamente. Entretanto, embora espere uma redução de produtividade, o agricultor acredita que conseguirá cobrir os custos de produção e, talvez, obter algum lucro. Parte dessa tranquilidade vem do fato de ter feito seguro agrícola para toda sua lavoura (7,2 mil acres ocupados por milho e soja).

Fonte: Jornal do Comércio | Marcelo Beledeli, de Chicago