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Segunda geração já perto de ganhar escala industrial

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Gustavo Lourenção/Valor / Gustavo Lourenção/Valor
Bernardo Gradim: "Uma nova fronteira tecnológica que pode adicionar valor agregado à produção existente"

Com um investimento de R$ 300 milhões, a GraalBio, empresa de soluções em biotecnologia industrial do Grupo Graal, faz a primeira investida no país, em escala industrial, na produção de biocombustíveis de segunda geração, ou seja, o etanol feito a partir de biomassa e não por meio da fermentação do açúcar da cana.

A construção da primeira planta de etanol celulósico do Brasil começa em setembro no município alagoano de São Miguel dos Campos, distante 68 quilômetros de Maceió. Terá 160 empregados e começará suas operações no final do ano que vem com uma produção de 82 milhões de litros de etanol a partir do bagaço e da planta de cana de açúcar.

Em relação ao total da produção brasileira de etanol, algo em torno de 24 bilhões de litros por ano, a produção da fábrica da GraalBio é uma fração ainda ínfima. Mas é uma iniciativa pioneira, avalia Bernardo Gradim, presidente da empresa. "Em termos de escala, a produção é muito pequena, mas a importância é muito grande. Representa uma oportunidade de uma nova fronteira tecnológica, que pode adicionar valor agregado à produção existente", diz ele. "Se a tecnologia funcionar, como esperamos, as chances de aumentar a capacidade produtiva de etanol de primeira geração são muito grandes. Podemos aumentar em até 45% a produção sem precisar aumentar a área plantada", destaca.

A planta em Alagoas será a primeira de um elenco de cinco usinas que a GraalBio espera implantar no Brasil para produzir biocombustíveis de segunda geração, informa Gradim. Uma segunda planta está sendo estudada para ser construída na Bahia. Os recursos serão financiados em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos privados e outra parte proveniente de capital próprio. A fábrica utilizará inicialmente bagaço e palha de cana adquirida de produtores da região. "O modelo associativo trará complementaridade de eficiência operacional com usinas de primeira geração e ganhos de sinergia", indica Gradim.

Para dar suporte tecnológico ao desenvolvimento dos projetos, a GraalBio se associou à BetaRenewables e à Chemtex, afiliadas do grupo italiano Mossi&Ghisolfi, que desenvolveu uma tecnologia única de pré-tratamento e conversão de biomassa, batizada como Proesa, capaz de converter vários tipos de matéria-prima em diversos bioquímicos e biocombustíveis. A própria BetaRenewewables, de acordo com Gradim, vai implantar uma biorrefinaria em Crescentino, na Itália, de porte semelhante à brasileira, para produzir 70 milhões de litros de etanol/ano, com a mesma tecnologia Proesa, prevista ainda para este ano.

Na planta de Alagoas, a GraalBio deve contar também com outros dois parceiros – a Novozymes, que vai fornecer uma avançada geração de enzimas, e a DMS, responsável pelo fornecimento das leveduras geneticamente modificadas que fermentarão o etanol de segunda geração. A Novozymes, segundo Pedro Luiz Fernandes, presidente regional para a América Latina, tem planos de construir uma unidade industrial no Brasil, especificamente para fornecer enzimas de última geração para o desenvolvimento de etanol de segunda geração. "Depende de uma definição da GraalBio, onde serão instaladas as suas outras unidades, mas também pode ser em São Paulo, Estado que concentra a maioria das 400 usinas de cana-de-açúcar, que também poderão ser usadas para a produção de biocombustíveis de segunda geração", diz Fernandes.

A DMS, corporação global com faturamento de € 9 bilhões em 2011, que opera em várias áreas de negócios, como nutrição humana, nutrição animal, enzimas especiais para nutrição humana e para alimentos, produtos para cuidados pessoais, plásticos de engenharia, resinas, fibras intermediárias e fármacos, está investindo US$ 150 milhões em parceria com a POET na construção de uma planta comercial para produzir 95 milhões de litros de etanol celulósico, baseada em resíduos de milho, a partir do final de 2013. "Estamos vendo a possibilidade de replicar o modelo americano no Brasil", conta Eduardo Estrada, presidente da empresa.

Com 24 unidades produtores de açúcar, etanol e bioenergia, e capacidade estimada para produzir 80 milhões de toneladas de cana na safra 2016/2017, a Raízen também tem planos de investimento no mercado de biocombustíveis de segunda geração.

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Fonte: Valor | Por Genilson Cezar | Para o Valor, de São Paulo