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Seca nos Estados Unidos beneficia venda futura de grãos

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Especialistas advertem que o mercado não deverá suportar atual nível de preços nos próximos meses

Seca nos Estados Unidos beneficia venda futura de grãos SCOTT OLSON/GETTY IMAGES / AFP

Projeção é de menos 46 milhões de toneladas de milho nos EUAFoto: SCOTT OLSON / GETTY IMAGES / AFP

Roberto Witter

roberto.witter@zerohora.com.br

A maior seca dos últimos 50 anos nos Estados Unidos tem provocado forte alta nos preços da soja e do milho, o que beneficia futuras vendas de produtores brasileiros. Especialistas, porém, alertam: o mercado não deve suportar esse nível de preços nos próximos meses.

Nesta quinta-feira, os valores recuaram na Bolsa de Chicago, que regula os preços das commodities, ficando abaixo de US$ 17 o bushel (equivalente a 27, 2 quilos). Foi o resultado da chuva prevista para Estados americanos atingidos pela seca. Faltando cerca de 15 dias para a colheita, o milho tem perdas irreversíveis. Segundo o relatório deste mês do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção terá 46 milhões de toneladas a menos do que o previsto. A soja enfrenta problema semelhante: com prognóstico de colheita de 87 milhões de toneladas em junho, que agora caiu para 83 milhões de toneladas.

O efeito é a alta de preços. No Rio Grande do Sul, a soja chegou a ser embarcada por R$ 85 a saca no porto de Rio Grande, lembra o analista de mercado Farias Toigo. Como o estoque do grão é de 6 milhões de toneladas no país, devido à seca que atingiu a safra de verão, as atenções se voltam à venda futura.

– Hoje, o preço é definido em meio a especulações de quebra de safra americana. À medida que tivermos números concretos da safra nos EUA e a confirmação de ampliação de áreas de cultivo na América do Sul, a tendência é de que o preço baixe – alerta o consultor Carlos Cogo.

Produtores de gado de corte, suínos, aves e leite, porém, sofrem com a alta. O farelo de soja, um dos principais ingredientes das rações, subiu 110% no último ano, com consequente impacto nos custos de produção.

Fonte: Zero Hora