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Seara vai aumentar preços em até 12% nos próximos meses

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Para Tomazoni, da JBS Foods, há "grande oportunidade" para elevar margens

Com o intuito de ampliar margens e repassar a alta dos custos com energia elétrica e o impacto do dólar mais valorizado sobre o preço dos grãos usados na ração animal, a JBS Foods, dona da marca Seara, informou ontem que vai aumentar o preço dos produtos processados vendidos no mercado interno de 8% a 12% até julho.

A indicação de alta dos preços foi feita durante teleconferência com analistas e investidores pelo CEO da JBS Foods, Gilberto Tomazoni. "Essa tendência [de aumento de preços] vai continuar. Vamos implementar aumentos de 8% a 12%", afirmou o executivo.

Segundo ele, o nível de aumento de preços dos produtos vai depender da penetração que a marca Seara tem em cada categoria. Na prática, os preços dos produtos em que a empresa tem maior participação de mercado subirão com maior intensidade, explicou.

Ainda que aponte a elevação de custos como uma das causas, a estratégia de aumento de preços da JBS Foods já vinha acontecendo, em meio à reestruturação que a JBS fez desde que a adquiriu a Seara Brasil da Marfrig, em 2013. Com investimentos em marketing e melhora no mix de produtos, a empresa tem conseguido preços médios maiores e margens mais altas.

No primeiro trimestre, o preço médio dos produtos processados vendidos pela JBS Foods foi de R$ 6,04 por quilo, incremento de 7,6% na comparação com o preço médio de R$ 5,61 reportado do mesmo intervalo do ano passado. Também houve aumento do preço médio nas exportações, impulsionado sobretudo pela desvalorização do real perante o dólar. No período, a JBS Foods elevou em 14,7% e 16,7% os preços médios das exportações de carne de aves in natura e carne suína in natura, respectivamente.

Com isso, a JBS Foods, subsidiária que representa 12% da receita líquida da JBS, ampliou a margem Ebitda em 2,2 pontos percentuais na comparação anual para 15,9%, conforme aponta o balanço divulgado na noite de quarta-feira.

Na avaliação de Tomazoni, a JBS Foods pode aumentar ainda mais a margem. Segundo ele, as últimas três aquisições feitas pela empresa na área de frango – Tyson Foods do Brasil, Big Frango e Céu Azul – operam com margem de 8% a 10% inferior à média das outras unidades da empresa. Portanto, afirmou ele, há "grande oportunidade" para elevar as margens. "As margens são significativamente menores que as nossas. A gente espera recompor margem".

Durante a teleconferência Tomazoni destacou que, mesmo privilegiando rentabilidade, a JBS Foods conseguiu ganhos de participação de mercado no segmento de alimentos processados no Brasil. De acordo com ele, a JBS Foods obteve um ganho de 1% a 2% nos chamados produtos industrializados (salsichas, mortadelas, linguiças, presuntos, entre outros).

"Não é significativo, mas dado que a categoria é muito grande, representa [bastante]", afirmou. Na categoria congelados, que é menor e inclui produtos como lasanhas e empanados, a evolução da empresa foi mais "significativa", disse Tomazoni. Também houve crescimento em pizza prontas.

Questionado por um analista sobre o maior poder de fogo que a concorrente BRF terá com o retorno da marca Perdigão em algumas categorias no segundo semestre, Tomazoni disse que a JBS Foods está "focada nas coisas que controla".

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo