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Sócios da Ceratti negociam venda para Hormel Foods

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A Ceratti, empresa de embutidos com sede em Vinhedo (SP), está em tratativas para ser vendida à companhia americana Hormel Foods. Fontes familiarizadas com a operação disseram que o valor da transação é de aproximadamente R$ 350 milhões. A expectativa é que o acordo seja concluído ainda esta semana.

Esse valor, segundo fontes, corresponde a cerca de 11 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia. A Ceratti é uma empresa de capital fechado, fundada em 1932 e controlada pela família do seu fundador, o italiano Giovanni Ceratti. O escritório Souza, Cescon, Barrieu, & Flesch Advogados assessora a Ceratti na operação. A Hormel Foods é assessorada pela TozziniFreire Advogados.

A fabricante de embutidos não divulga resultados financeiros, mas informou recentemente que obteve receita líquida de R$ 300 milhões em 2016, com a venda de 18 mil toneladas de produtos. Em torno de 70% das vendas são concentradas no Estado de São Paulo. A companhia tem uma fábrica em Vinhedo (SP) e terceiriza parte de sua produção no Paraná.

Procurada, a Ceratti não quis comentar o assunto. A Hormel Foods informou que não comenta sobre aquisições. Em uma apresentação a investidores feita em junho, a companhia anunciou que planejava fazer "aquisições estratégicas" no Brasil, na África do Sul e na Ásia, como parte dos esforços para ampliar a sua operação internacional.

Dona de marcas como Pepperoni Hormel, Applegate, Jennie-O e Black Label, a Hormel Foods vende para 70 países. Da receita global de US$ 9,5 bilhões obtida em 2016, US$ 511 milhões vieram das operações internacionais.

A Hormel Foods é a quarta maior produtora de carne suína dos EUA, atrás de Smithfield (que pertence ao grupo chinês WH), JBS e Tyson. Globalmente, a Hormel está entre as dez maiores, conforme a revista especializada "Pig International". De acordo com a revista, a Hormel abate 13 milhões de cabeças suínos ao ano.

No Brasil, a Hormel só atuará no processamento de carne suína, ao menos no primeiro momento. A Ceratti produz suas linhas a partir da carne suína fornecida pelo frigorífico Alegra Foods – a sociedade das cooperativas paranaenses Castrolanda, Capal e Frísia (ex-Batavo).

A incursão da Hormel no Brasil marca o retorno de estrangeiros ao segmento de industrializados à base de carnes no país. Na década passada, a Seara, que hoje faz parte da JBS, pertenceu às americanas Bunge e Cargill. Até 2014, a Tyson Foods também tinha frigoríficos de frango no Brasil, mas acabou vendendo os ativos no país à JBS.

Para crescer no país, a Hormel não poderá se restringir à Ceratti, observou um executivo do setor. De acordo com essa fonte, a Ceratti não tem escala suficiente para o porte da Hormel, nem para a dimensão do Brasil, que é o quarto maior produtor de carne suína do mundo. Por outro lado, a Ceratti pode ser o primeiro passo de uma estratégia da Hormel no país.

Listada na bolsa de Nova York, a Hormel Foods fechou o primeiro semestre fiscal com receita líquida de US$ 4,47 bilhões, em queda de 2,7%, e lucro líquido de US$ 446,1 milhões, uma diminuição de 3,1%.

Por Cibelle Bouças e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor