SAINDO DO FORNO | Efeito do clima e dólar pressionam alta no pão

Com diminuição da oferta de trigo, o aumento poderá chegar a 20%

Dois meses depois de uma série de problemas climáticos que afetaram a produção gaúcha de trigo, chega até as padarias gaúchas o resultado da ação do tempo sobre as lavouras. Segundo estimativas das indústrias panificadoras do Estado, o aumento no quilo do pão francês pode chegar a 20% para o consumidor devido à redução da safra, que poderá ser superior a 30%.
Para suprir a demanda, são necessárias anualmente pelo menos 1,2 milhão de toneladas de trigo, que é o consumo anual das indústrias no Rio Grande do Sul. Com queda hoje estimada em 23,26% na safra do cereal, a previsão é que a colheita passe de 2,5 milhões de toneladas para 1,9 milhão de toneladas. Além do produto que vai para as indústrias, há a demanda do mercado externo e o uso para ração animal.
– Esse reajuste pode variar entre 10% e 20%. E só temos garantia de produto para dezembro – alerta Arildo Oliveira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação, Massas e Biscoitos do Estado (Sindipan).
Uma saída seria a importação de trigo argentino, mas os vizinhos reduziram a área e a produção nos últimos anos. Conforme o governo local, a estimativa é de uma colheita de 11,1 milhões de toneladas, das quais apenas 6 milhões poderão ser exportadas devido a restrições impostas pela presidente Cristina Kirchner.
O aumento do preço do trigo comprado pelos moinhos preocupa as indústrias. Conforme o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Rio Grande do Sul (Sinditrigo), José Antoniazzi, a alta foi de 40% nos últimos dois meses. A falta de produto no Mercosul poderá forçar a importação de outros países, o que aumentaria o custo devido ao dólar acima dos R$ 2,10 e às taxas de frete.
– Estamos conversando com compradores de fora que também aumentam o preço quando veem que precisamos do trigo – diz Antoniazzi.
No campo, a preocupação é com a qualidade. Na avaliação do assistente técnico regional em culturas da Emater em Passo Fundo, Cláudio Dóro, apenas 50% do trigo colhido na região deve ter aproveitamento para a panificação:
– O trigo teve perda de glúten (conjunto de proteínas). Quando não há força do glúten, o pão não cresce.
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NESTOR TIPA JÚNIOR

Fonte: Zero Hora