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Rússia já passa a ser motivo de preocupação para frigoríficos

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Ana Paula Paiva/Valor
Santin, da ABPA: no médio prazo, poderá haver problemas para a carne de frango

Depois de entusiasmar os principais frigoríficos brasileiros com a autorização, em agosto, para que mais de 80 estabelecimentos exportadores do Brasil também pudessem acessar seu mercado, a Rússia entrou no radar das preocupações da indústria nacional – em especial, da bovina. Já há sinais de que o desempenho das vendas aos russos, muito comemorado entre setembro e outubro, poderá se deteriorar ainda neste quarto trimestre, pressionado pela forte desvalorização da moeda russa (rublo) em relação ao dólar.

"Esquece a Rússia no quarto trimestre", afirmou na última sexta-feira o CEO da Marfrig, Sergio Rial, em encontro com analistas. Na avaliação do executivo, a desvalorização do rublo e a queda dos preços do petróleo impuseram muitas dificuldades econômicas para a Rússia, que é o segundo principal importador da carne bovina brasileira. A Marfrig é a terceira maior exportadora de carne bovina do país, atrás de JBS e Minerva Foods.

Apesar do alerta do executivo, os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) ainda não captaram uma mudança de tendência. Conforme a Secex, as exportações brasileiras de carne bovina in natura para a Rússia totalizaram 12,4 mil toneladas no acumulado de novembro até o dia 16, ou 1,239 mil toneladas por dia útil. Se o ritmo dos embarques não se alterar na segunda quinzena, as exportações superarão 24 mil toneladas no mês, ultrapassando as 18,2 mil exportadas em novembro de 2013.

Se até agora não houve alterações significativas em relação aos embarques, a depreciação do rublo se traduziu no comportamento de alguns importadores – que já enfrentam mais dificuldades para obter crédito, afirmou uma fonte ao Valor. Nesse contexto, há forte pressão dos importadores. "A situação da Rússia está incomodando. Eles vêm fazendo certa pressão em cima do preços", garantiu uma fonte ligada a um grande exportador brasileiro.

Conforme os dados da Secex, é possível notar uma redução do preço médio da carne bovina exportada para a Rússia. No acumulado de novembro até o dia 16, o preço médio da carne bovina foi de US$ 4.104 por tonelada, queda de 5,94% na comparação com a média de US$ 4.363 a tonelada registrada no mês de outubro.

Além disso, o preço da carne bovina in natura vendida para a Rússia também caiu entre a primeira e a segunda semana de novembro, com a média recuando de US$ 4.119 para US$ 4.076 por tonelada – retração de 1,05%. Apesar disso, o analista do Rabobank Adolfo Fontes pondera que a depreciação do real dá uma folga para a redução dos preços em dólar.

Para além dos preços, as dificuldades da economia russa também podem atrapalhar o fluxo de exportações em dezembro, admite outra fonte. Segundo essa fonte, a escassez de dólar na Rússia deve fazer com que o país não antecipe as 25% da cota de exportação prevista para 2015 para o próximo dezembro, frustrando os exportadores.

No caso das carnes de frango e suína, ainda não há qualquer impacto em volume e preço, afirma o vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. "Tudo indica que esse é mais um mês positivo", afirmou ele, para quem as exportações de carne de frango chegarão a 40 mil toneladas no mês. Até o dia 16, foram 18 mil toneladas, o que já supera quase três vezes as 6,1 mil toneladas vendias em todo o mês de novembro de 2013. Apesar disso, Santin prega cautela. "Os importadores precisam de crédito. No médio prazo, pode ser um problema".

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo