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Rodopa se estrutura para abrir o capital

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Claudio Belli/Valor / Claudio Belli/Valor
Segundo Biojone, da Rodopa, "há espaço para mais um frigorífico de capital aberto"

Dois anos após profissionalizar sua gestão e acelerar seu crescimento, a Rodopa Alimentos – dona da marca Tatuibi – vislumbra saltos ainda maiores. Em meio às difíceis negociações para adquirir duas novas unidades para dobrar sua capacidade de abate de bovinos e ganhar escala, a empresa iniciou uma segunda fase de estruturação. Agora, o foco é abrir o capital na BMF&Bovespa e disputar a preferência dos investidores com os frigoríficos JBS, Marfrig e Minerva, que estrearam na bolsa no boom de IPOs de 2007.

Para cuidar da tarefa, a Rodopa, criada em 1958 em Limeira (SP) pela família Bindilatti, contratou Gilberto de Souza Biojone, superintendente-geral da Bovespa na gestão Guto Vidigal (1990-94), ex-diretor geral do banco Sudameris e com passagens pela CVM e pela corretora Socopa. "Queremos ingressar no mercado de capitais de forma madura", afirmou Biojone em entrevista ao Valor, sobre o início de seu trabalho, com a estruturação da diretoria de relações com investidores e pecuaristas. Parte desse amadurecimento, explica o executivo, acontecerá nos próximos três meses, período em que Rodopa estará preparada para fornecer as informações típicas de uma companhia aberta.

"Mesmo fechada, vamos dar as informações que teríamos de fornecer ao investidor como uma empresa aberta", disse Biojone. A previsão do executivo é que a Rodopa inicie a divulgação dos resultados trimestrais a partir do último trimestre deste ano. Por ora, a empresa trabalha para afinar o discurso com os executivos da área comercial. "Vamos definir as informações estratégicas e delimitar o conjunto de informações que serão disponibilizadas", explicou ele.

Nesse processo, o executivo aposta em uma relação de transparência da empresa com os fornecedores de matéria-prima e clientes, notadamente o pequeno e médio varejos. "Tão importante quanto o investidor, é o pecuarista e o cliente. Eles também precisam ter clareza sobre a estratégia de financiamento da empresa", exemplifica Biojone.

Com isso, espera o executivo, a Rodopa terá consolidado uma cultura saudável para efetivar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), diminuindo o receio do investidores com o setor, que opera com índices de alavancagem bastante altos. A melhor relação com os pecuaristas, diz ele, pode reduzir a dependência de compras à vista de boi gordo, minimizando a intensiva necessidade de capital de giro do segmento. "Há espaço para mais um frigorífico de capital aberto, especialmente se ele for diferente", ressalta.

Mas a abertura de capital só acontecerá quando a empresa ampliar sua escala de produção. "Para abrir o capital, temos que chegar num tamanho adequado. O papel precisa ter liquidez", pondera Biojone. O executivo não comenta, mas o Valor apurou que a Rodopa considera abrir o capital ao atingir uma receita líquida anual de R$ 3 bilhões, quando a empresa conseguir dobrar sua atual capacidade de abate de 3 mil cabeças diárias. A Rodopa pretende fechar o ano com um faturamento de R$ 1,2 bilhão, ante os R$ 860 milhões do ano passado.

Para aumentar essa capacidade, o grupo pretende adquirir ou arrendar dois novos frigoríficos, conforme já informou o Valor. Atualmente, a Rodopa possui quatro unidades de abate e uma de processados. "Para ir ao mercado, é preciso crescer e estão faltando plantas. Essa é a importância dessas aquisições", ressalta.

Mas as tratativas da empresa esbarram no poder de fogo dos principais players do setor, que tiveram o interesse por aquisições ou arrendamentos de frigoríficos aguçados pela maior disponibilidade de animais para abate no país. O Valor apurou que a Rodopa chegou a negociar, em março, o arrendamento de um frigorífico em Coxim (MS) junto ao River Alimentos, mas a unidade acabou nas mãos da JBS.

A Rodopa também tentou adquirir as quatro unidades do Independência, em recuperação judicial, mas não obteve financiamento na ocasião. Em maio, os credores do Independência aprovaram uma oferta de R$ 268 milhões da JBS pelos cobiçados ativos – o negócio ainda depende do aval de bancos e detentores de bônus.

Para fazer frente a essa concorrência, a Rodopa está negociando um empréstimo de cerca de R$ 60 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme já informou o Valor. Com isso, a empresa espera efetivar as aquisições pretendidas.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo