Rios de oferta de energia ecologicamente correta

Fonte: Valor | Por Flávio Barra

Garantir oferta de energia a um país como o Brasil, cuja expansão da economia em 2010 superou a de nações como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Rússia, entre outros, é um dos nossos maiores desafios hoje. Segundo o mais recente Plano Decenal de Expansão de Energia, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), precisaremos incorporar ao Sistema Integrado Nacional, anualmente, mais de 5 mil novos megawatts, energia suficiente para abastecer uma cidade com 3 milhões de residências.

Cada vez mais, as discussões sobre a composição da matriz energética brasileira têm deixado de ser tema exclusivo de especialistas e de integrantes do meio acadêmico para se transformar em debate nos mais diferentes níveis e setores da sociedade. E é saudável que isso aconteça, de maneira que a geração de energia seja considerada por um maior contingente de brasileiros como matéria prima indispensável para que tenhamos um país mais próspero e capaz de oferecer mais empregos e melhor renda à população.

País também precisa desenvolver potencial eólico, solar e nuclear, consolidando uma matriz sólida e segura

Em meio a esse debate, há de se jogar luz sobre uma verdade: a energia hidrelétrica ainda é a melhor opção para investimentos em um país como o Brasil, detentor do maior potencial hídrico do mundo. E mais: apenas 30% dessa inigualável riqueza renovável são explorados no Brasil. Mas não é somente por isso que essa fonte de energia é, hoje, considerada a mais viável entre todas. A geração de eletricidade por meio hidráulico destaca-se entre as mais seguras e limpas, seja pela ausência de queima de combustíveis de qualquer tipo, baixa emissão de gases do efeito estufa, ausência de riscos de contaminação ao meio ambiente, entre muitos outros aspectos.

Soma-se a isso o fato de qualquer projeto hidrelétrico ter que passar pelo crivo de normas rigorosas, obter complexas licenças, responder a todos os órgãos e entidades que representam tanto as comunidades locais como a sociedade em geral. E tudo isso de forma sustentável e com reservatórios cada vez menores.

Sob o prisma financeiro, a opção por hidrelétricas assegura uma altíssima eficiência energética, o que se reflete, entre outros aspectos, no menor valor cobrado pela energia em comparação com as demais fontes. E tarifa menor para o consumidor significa ainda maior competitividade para a indústria brasileira. Os reduzidos custos de operação e a longa vida útil das plantas hidrelétricas também colaboram para fazer dessa uma opção viável e vantajosa em um país de dimensões continentais e com tamanha necessidade de energia nova a cada ano.

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Paulo Miguel/Folhapress/Paulo Miguel/Folhapress

Diante desses argumentos, é positivo que o governo tenha sinalizado que a geração de eletricidade no Brasil até 2020 será majoritariamente oriunda de hidrelétricas (69,85%). O país poderá ganhar até 30 novas usinas até o final da década, de maneira a suportar uma taxa média de expansão de consumo de 4,6% ao ano.

Falar em desenvolver o potencial hidrelétrico brasileiro, porém, não significa excluir outras formas de geração de energia elétrica limpa. O Brasil precisa de mais hidrelétricas, mas não pode abrir mão de desenvolver seu elevado e próspero potencial eólico, bem como de energia solar e até mesmo nuclear, consolidando uma matriz sólida e segura. Uma matriz cada vez mais diversificada e limpa garante ao país tanto a segurança energética perseguida por todos como a possibilidade de crescer de forma sustentável.

Essa meta, no entanto, só é possível se forem criadas condições para que todo o planejamento necessário para a entrada frequente de energia nova e limpa seja incansavelmente perseguido e rigorosamente cumprido. A construção de novas usinas demanda uma série de estudos, projetos, autorizações e envolvimento da sociedade, por meio do crescente e oportuno monitoramento exercido por órgãos fiscalizadores como Ministério Público, Ibama, Funai, entre muitos outros.

Diante dessa complexidade de atores e exigências, faz-se necessária a criação de um ambiente ágil que encaminhe adequadamente as questões inerentes à implantação dos projetos, em tempo hábil e de forma responsável, seja em relação ao cenário em que estes se inserem ou à necessidade de crescimento do país. O desenvolvimento não pode esperar.

Flávio Barra é presidente da AG Energia e membro do Conselho do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM).