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Rio de Una testa o potencial para orgânicos no Nordeste

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Guilherme Pupo/Editora Globo / Guilherme Pupo/Editora Globo
Produção da Rio de Una no Paraná: empresa deve faturar R$ 20 milhões este ano

Todos os meses, cerca de 300 toneladas de legumes e verduras orgânicas picadas e higienizadas deixam a sede da Rio de Una, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR), para abastecer 280 pontos de vendas em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A empresa, controlada pelo Axialpar – fundo de investimento do antigo banco Axial voltado para projetos sustentáveis -, é uma das poucas do país que fornecem hortaliças isentas de agrotóxicos prontas para o consumo.

Criada há 15 anos já com essa proposta, a Rio de Una – o nome é uma referência ao curso d’ água que cortava a propriedade onde teve início o projeto – conta com a parceria de 117 produtores do Sul e do Sudeste, assistidos por uma equipe de engenheiros agrônomos da própria empresa, cujo faturamento é de R$ 20 milhões anuais. Mas era preciso ampliar essa rede, e a empresa partiu para o Nordeste.

Em 2011, a Rio de Una implantou um projeto semelhante em seis municípios da Paraíba, em conjunto com a fazenda Tamanduá, que também pertence ao Axialpar. Ali são produzidas frutas, queijos e mel orgânicos no município de Santa Terezinha. Por enquanto, os 25 agricultores associados respondem por uma safra de apenas 20 toneladas mensais de hortaliças, batatas, pimentões, berinjelas, tomates e cenouras, por meio de cultivo irrigado, mas a tendência é de crescimento.

Os produtores seguem certos cuidados especiais com plantios instalados no sertão. Para proteger culturas mais suscetíveis a pragas, como a batata, a indicação é aplicar defensivos naturais como a calda bordalesa, feita com mistura de cal virgem e sulfato de cobre. Além de adubo verde, a crotalária é utilizada no combate aos nematóides, vermes de solo invisíveis a olho nu e que atacam as raízes das plantas. E hortaliças e frutíferas podem ser cultivadas em consórcio para o melhor aproveitamento da adubação.

Segundo Jean Revece Neto, diretor da empresa, no início a ideia era escoar a produção nordestina para o Paraná, para que ela funcionasse como uma espécie de reforço em épocas de entressafra na região Sul. Mas a estratégia mudou. Como o custo com o transporte era alto demais, a decisão foi explorar a própria região Nordeste, cujo mercado para produtos agroecológicos ainda é quase inexistente.

"A aceitação tem sido boa, pois não havia esse tipo de abastecimento regular na região", comenta Revece. Com a colheita paraibana, a Rio de Una projeta um crescimento de 5% a 10% por ano em sua receita total. "A nossa experiência paranaense ajudará a formar o novo mercado", afirma.

O Paraná é considerado pioneiro na agricultura orgânica e possui a maior diversificação nesse tipo de produção, com 49 atividades ligadas aos cultivos de frutas, legumes, verduras e produção de artigos industrializados, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2006.

O Estado é um dos mais importantes representantes do mercado de orgânicos do país. Estima-se que o segmento movimente cerca de R$ 250 milhões por ano, mas há uma carência de informações que pode ser justificada pela demora da regulamentação da Lei 10.831, que entrou em vigor há apenas dois anos. Por meio dela, as certificadoras passaram a ter que fornecer números sobre a produção de seus clientes para o Ministério da Agricultura.

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Fonte: Valor | Por Janice Kiss | De São Paulo