Reunião vai discutir crise no crédito do agronegócio

 

Ministra convoca bancos e setor para identificar gargalos no financiamento

Reportagem da Folha desta segunda (24) apontou dificuldades de produtores para conseguir empréstimos

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, convocou para esta terça-feira (25) uma reunião com bancos públicos e privados e representantes do setor agrícola para discutir o financiamento da safra. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Tarcísio Godoy, também deve participar.

O objetivo é identificar os gargalos no acesso ao crédito apontados pelos produtores e alternativas para superar problemas como o aumento das exigências de garantias para liberar os recursos.

A principal preocupação é com os bancos privados, em que o crédito sofreu maior retração no primeiro semestre.

"Vamos fazer essa reunião, ver quais são as dificuldades, e o que podemos fazer", disse a ministra à Folha. "Não é possível que não encontremos mecanismos que possam superar esse desempenho."

A Folha mostrou nesta segunda (24) que os produtores de soja se queixam de dificuldades para obter empréstimos para custear a produção, a menos de um mês do início do plantio da nova safra.

Segundo Kátia Abreu, o governo começou a receber reclamações dos produtores há cerca de 20 dias.

Nos primeiros sete meses deste ano, o financiamento do custeio e comercialização da safra caiu 9% em relação ao mesmo período de 2014, para R$ 47 bilhões, segundo dados do Banco Central compilados pelo ministério.

A queda foi mais concentrada nos bancos privados, em que o crédito ao setor despencou 24%, para R$ 13,4 bilhões. Nos públicos, que respondem pela maior fatia do financiamento, o recuo foi de 2%, para R$ 28,9 bilhões.

A ministra ponderou que o fato de a Caixa ter apenas recentemente aumentado a sua participação no crédito agrícola justifica uma maior cautela do banco nas concessões.

Ela também disse que os bancos privados têm menor experiência com o setor e se retraíram por causa da crise econômica e política.

A avaliação é que esse cenário começou a se distender a partir de julho, depois do anúncio do Plano Safra. No mês, o crédito avançou 32% ante igual período de 2014.

"A gente pode ficar despreocupado? Não, mas um pouco aliviado", disse.

DE BRASÍLIA DE SÃO PAULO

Fonte : Folha