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Residência agroflorestal: capacitação em Ater a jovens em Rondônia

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Criado no início de 2014 para capacitar jovens ligados ao meio rural e egressos de universidades, para atuação na área de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), em Rondônia, o projeto Residência Agroflorestal é uma parceria entre a Universidade Federal de Rondônia (Unir) – Campus de Rolim de Moura e a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), tendo como executor financeiro o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O treinamento é realizado durante dois anos, em processo de alternância. Os profissionais passam um período na universidade e outro nas comunidades rurais, acompanhando e desenvolvendo atividades junto às famílias agricultoras, vivenciando na prática o cotidiano do campo. O processo tem início com a análise das demandas da agricultura familiar, momento em que é feito o levantamento dos principais gargalos e, posteriormente, é realizada a seleção de profissionais egressos de cursos superiores e com até dois anos de formados, de acordo com o perfil necessário.

A capacitação é dividida em sete módulos de formação e vivência prática, dos quais três já foram ministrados e outros quatro seguem em andamento, abordando temas como Legislação Florestal e Rural, Sistemas Produtivos e Organização da Produção Rural, Cooperativismo, Associativismo e Economia Solidária, e também desenvolvimento rural, produtos de origem e a estrutura de mercado da agricultura familiar. O próximo módulo de formação está previsto para a segunda semana de abril.

Com investimentos totais de R$ 1,175 mi, dos quais R$ 688,5 mil já foram aplicados pela Sead, o projeto envolve diversos docentes da Universidade Federal de Rondônia e beneficia 20 residentes, 10 técnicos de entidades de Ater e mais de 1500 agricultores familiares.

O professor da Unir, José de Sá, conta que a cada três meses os residentes participam de um módulo de formação com duração de uma semana cada, e que no restante do tempo os residentes ficam em campo, o que contribui muito para o desenvolvimento do aprendizado. Para ele o objetivo é formar recursos humanos para atuação na área de Ater, voltados à melhoria dos sistemas de produção, de forma sustentável, em Rondônia e na região amazônica.

“Já temos mais resultados do que esperávamos no que diz respeito ao atendimento direto à agricultura familiar, viabilização de recursos para os processos produtivos do setor e também internalização da parceria com o estado. Esse projeto tem tudo para ter continuidade e se transformar num programa de Estado, tendo em vista seu papel fundamental para o avanço da melhoria da produção e da organização produtiva no meio rural”, enfatizou o professor.

Conhecimento integrado e compartilhado

Com o auxílio dos residentes ao longo desse processo, passos importantes já foram dados como por exemplo: o apoio à organização da cadeia produtiva da castanha-do-brasil, atividade praticada pelos povos indígenas e extrativistas; a aprovação de oito projetos, elaborados pela equipe, que inseriram oito agricultores familiares no “Projeto Rural Sustentável” – voltado à produções sustentáveis e viabilizado pelo Acordo de Cooperação celebrado entre Brasil e Reino Unido; a organização da I Feira de Troca de Sementes Indígenas em Rondônia; o apoio à organização de outras cadeias produtivas da agricultura familiar no estado, como o Projeto Reca – Associação dos Pequenos Agrossilvicultores que é voltada ao Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado.

Para a engenheira agrônoma, Caroline Iwamura, de 24 anos, as aulas têm proporcionado uma experiência nova e mais intensa, principalmente as práticas, com atividades realizadas no campo. Ela conta que já participou de um encontro com indígenas e do planejamento da instituição, vivenciando realidades que até então não conhecia.

“Eu estava à procura de novas oportunidades quando me formei e essa proposta de residência na Unir me chamou atenção. É um aprendizado totalmente novo e único. Acho que não há no país nenhum projeto como este, capaz de proporcionar tantos ensinamentos aos estudantes e profissionais dessa área”, afirma Iwamura.

A assistência técnica é resultado do trabalho em equipe realizado por residentes, entidades receptoras dos residentes e agricultores familiares, por meio de atividades voltadas à cadeia de produtiva da agricultura familiar, dos sistemas produtivos e da organização social produtiva. Atualmente são oito as organizações ligadas ao público da agricultura familiar receptoras dos residentes, leia aqui.

Segundo o coordenador geral de formação do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural da Sead (Dater), Gereissat Rodrigues Almeida, a excelência do projeto se dá pela possibilidade dos residentes frequentarem os diferentes segmentos da agricultura familiar na região e de colocarem em prática o resultado desse aprendizado de maneira mais rápida e eficaz. “Rondônia é um estado com diversidade de culturas de produção", enfatiza.

Dayana Santos
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Assessoria de Comunicação

Fonte : MDA