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Resíduos de agrotóxicos em hortifrúti no radar do varejo

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No radar das redes varejistas pelo uso incorreto ou excessivo de agrotóxicos, o segmento de frutas, legumes e verduras (conhecido como "FLV") está avançando no atendimento às normas que tratam desses resíduos nos alimentos. Análise conduzida pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revelou que 71% dos produtos estavam em conformidade com a legislação no ano passado, à frente dos 64% de 2014.

Os números foram levantados pelo Programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos (Rama), lançado pela Abras em 2011. "O objetivo é ir além do código de defesa do consumidor, promovendo boas práticas que garantam a segurança dos alimentos", afirmou ontem Márcio Milan, vice-presidente da Abras e responsável pelo Rama, na apresentação do primeiro balanço do programa.

Historicamente, o varejo é um grande motor de mudanças na cadeia do agronegócio, a exemplo do pacto com frigoríficos em 2009 para barrar fornecedores de carne bovina que atuam em áreas de desmatamento na Amazônia. No setor de FLV, já havia influência na padronização dos produtos. "Mas é preciso ver também o que não está na descrição da embalagem", disse Sussumu Honda, presidente do conselho consultivo da Abras.

A adesão ao Rama é voluntária e atualmente participam 34 varejistas (como Carrefour e Makro), que respondem por 20,1% do faturamento do setor, ou R$ 66,85 bilhões. A estimativa é que um milhão de toneladas de produtos, de 290 tipos, já tenham sido rastreados. Desse total, 81 estão em processos de amostragem – como pimentão, morango e alface, que estão entre os mais problemáticos, seja pelo uso de defensivos não autorizados nessas culturas ou presença acima do limite de resíduos.

Entre 2012 e 2015, o programa realizou 1.457 análises. A proporção de conformidade, porém, já foi maior que os atuais 71% – em 2012, por exemplo, eram 73%. "Na medida em que o volume de amostras cresce, começam a aparecer mais problemas. Mas nossa meta é voltar a esse patamar [de 2012] este ano, e caminhar para 2020 mais perto dos 90%", disse Giampaolo Buso, diretor comercial da empresa PariPassu, coordenadora técnica do programa.

O Rama assemelha-se ao Para, programa da Anvisa que analisa resíduos de agrotóxicos em alimentos, mas tem o diferencial de rastrear o produto e chegar ao campo. Assim, o Rama promove encontros com agricultores – devem ser 70 este ano – e fomenta a assistência técnica para a melhor utilização de agroquímicos, em parceria com instituições locais, como a Epagri em Santa Catarina, e o Ministério da Agricultura.

Para 2016, a Abras espera fazer 600 visitas a produtores e ampliar a adesão de grandes redes – grupos como Pão de Açúcar e Walmart ainda não fazem parte da iniciativa.

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor