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Reflorestamento em mosaico assegura biodiversidade

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Fonte: BRASIL ECONÔMICO 

Em 2010,a empresa ingressou em biotecnologia,com a aquisição da Futura Gene,e em energia renovável, com a constituição da Suzano Energia Renovável.Não atua no mercado de carbono

Amarilis Bertachini

A experiência de reflorestamento em larga escala feita em diversas regiões do país com realidades diferentes de clima, solo e relevo, deu à Suzano Papel e Celulose a expertise e a base genética que lhe permitem hoje alcançar uma produtividade acima da média nacional de 41 m³ por hectare ano, que já é considerada uma das maiores do mundo. Nos plantios de eucalipto da empresa, a produtividade média registra 44 m³ha ano e em volume de celulose atinge 11 toneladas ha ano.

A área florestal da Suzano, entre terras próprias, arrendadas e de parceiros, somou no primeiro trimestre deste ano 771 mil ha, dos quais 326 mil ha abrigam florestas plantadas de eucalipto localizadas nos estados de São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Tocantins, Maranhão e Piauí. Perto de40%da área total, ou 284 mil ha, são destinados à preservação ambiental.

As terras da Suzano são cobertas pelo chamado plantio em mosaico, ou seja, um mix de áreas plantadas entremeadas por fragmentos de florestas nativas que formam mosaicos. Segundo Alexandre Di Ciero, gerente executivo de Sustentabilidade da Suzano, esse processo de interligação é importante porque assegura a biodiversidade, além de atender às exigências legais em relação à preservação de áreas naturais. "Trabalhamos com corredores ecológicos, que são áreas nativas que podem variar de 50 a 200 metros de largura e permitem, por exemplo, que os animais trafeguem entre os trechos de floresta." O departamento de Sustentabilidade da Suzano é responsável pelo planejamento para promover a melhor relação ambiental possível tanto nos trechos de replantio de eucaliptos, quanto nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. "Temos um levantamento de 100% de nossas áreas de florestas nativas", afirma Di Ciero. Um dos principais trabalhos hoje nessa área da Suzano está em andamento em parceria com a TNC (The Nature Conservancy), uma Ong especializada nesse segmento que faz um levantamento de toda a fauna e da flora nas áreas de floresta nativa da empresa. O mapeamento vai indicar quais são as áreas de maior interesse e importância ecológica e definirá um plano de manejo para cada local, obedecendo às especificidades regionais." Vamos supor que façam os um monitoramento de fauna de uma determinada área e lá se descubra que existe um animal em processo de extinção, então teremos de fazer um manejo diferenciado. Esse trabalho com a TNC é inédito e vai envolver todas as áreas", diz. A ação deve durar dois anos, mas os resultados prévios da região de São Paulo devem ser divulgados em breve."Agora vamos iniciar na Bahia e depois vamos para o Maranhão e Piauí", acrescenta.

De acordo com Di Ciero, embora a empresa já venha fazendo diversos tipos de monitoramento, tanto para fauna quanto para a flora, esse trabalho permitirá ter uma visão geral dos projetos. "Trabalhávamos mais com o conhecimento específico de cada área, mas agora aproveitaremos o conhecimento e as ferramentas de monitoramento da TNC, que nos ajudarão a melhorar o que tínhamos antes", diz.

As áreas de florestas nativas da Suzano não são exploradas comercialmente e o manejo é feito somente para conservação.

A única exploração existente está voltada à educação ambiental e aos projetos visando as comunidades locais nas áreas de extrativismo sustentável, fruticultura, AGRICULTURA FAMILIAR e outros específicos para cada região.

"Trabalhamos com corredores ecológicos, que são áreas de florestas nativas que interligam os trechos de plantio" Alexandre Di Ciero Gerente executivo de sustentabilidade da Suzano

Entre as novas tecnologias que a companhia tem buscado para melhorar seus processos, a Suzano está implantando o projeto Focus Sistema Unificado de Colheita Florestal, uma solução de gestão online, com comunicação via satélite, que viabilizará o gerenciamento dos processos florestais em tempo real permitindo maior agilidade na tomada de decisões, otimização dos recursos e aumento de produção.

A empresa é uma das maiores produtoras integradas de papel e celulose da América Latina, e produz atualmente 1,9 milhão de toneladas de celulose 80% vendidos para o mercado externo e 1,3 milhão de toneladas de papel 40% destinados à exportação. No mês passado, a Suzano que encerrou 2010 com uma receita líquida recorde de R$ 4,5 bilhões anunciou investimentos de R$ 3,5 bilhões para 2011, incluindo a nova fábrica de celulose do Maranhão, a continuidade da formação florestal para a nova unidade de celulose do Piauí, a manutenção florestal e industrial das unidades de produção de celulose e papel já existentes (Suzano, Rio Verde, Embu, Mucuri e Limeira), as três plantas de produção de pellets de biomassa na Suzano Energia Renovável, além da aquisição (já realizada) dos 50% restantes da Unidade de Limeira (ex-Conpacel).

A empresa ingressou em duas áreas: biotecnologia, com a aquisição da Futura Gene, e energia renovável, com a constituição da Suzano Energia Renovável.

400 mil mudas

Somente no ano passado, a Suzano plantou 108 milhões de mudas de eucaliptos ou 415 mil mudas por dia útil, ocupando área equivalente a 67 mil hectares. Ao mesmo tempo, a empresa utilizou 34 mil hectares de florestas plantadas ou um consumo de aproximadamente 8,3 milhões de m3 de matéria-prima para a produção de papel e celulose. Para atender ao crescimento orgânico da demanda por celulose, a Suzano está instalando duas novas fábricas no Maranhão e no Piauí, com novas áreas de reflorestamento. Como o clima lá é mais seco, a empresa focou no desenvolvimento tecnológico e investiu na diversidade do material genético com o desenvolvimento de clones com alto poder de adaptação e resistência a doenças. Nas florestas de eucalipto o retorno do investimento ocorre em sete anos.

Por isso, as áreas de plantio são divididas em sete setores, com plantio e colheita rotativos, um a cada ano, o que reduz o impacto ambiental e visual. A maior parte das mudas é produzida em viveiros próprios localizados nas regiões de Alambari (SP) e Mucuri (BA).

O ciclo de produção é de 120 dias e começa com o trabalho de coleta de brotos em um minijardim coberto e protegido que são colocados em tubetes até criar raízes.

As pequenas mudas são, então, levadas para uma área com temperatura controlada e depois passam por aclimatação para se adaptarem às condições do campo antes do plantio.