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Receita do setor de defensivos deve ter novo recuo este ano

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Pressionado pela escassez de crédito para os produtores e pela desvalorização do real ante o dólar, o setor de defensivos amargou redução no faturamento pelo segundo ano seguido no Brasil em 2016. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o setor movimentou US$ 9,56 bilhões em 2016, levemente abaixo dos US$ 9,6 bilhões do ano anterior.

A queda poderia ter sido ainda maior não fosse a melhora no desempenho do agronegócio no segundo semestre do ano passado. Apesar da leve retração, o resultado na comparação anual foi bem melhor que o tombo de 22% registrado em 2015.

A queda no faturamento de 2016 se deve aos mesmos fatores que pressionaram o resultado do setor em 2015. "A indústria acabou não conseguindo repassar muito da desvalorização do real de 2015 e isso acabou se refletindo em 2016", explicou Silvia Fagnani, diretora-executiva do Sindiveg, ao Valor.

Enquanto o faturamento total do setor caiu, o volume importado subiu 5,72% em 2016, alcançando 414,98 mil toneladas. "Esse avanço não quer dizer aumento de mercado, mas redução de produção local", disse Fagnani.

Para este ano, o sindicato mantém cautela. "Estávamos mais otimistas, mas os estoques de defensivos estão altos, e isso nos leva a prever retração", disse Fagnani. Segundo ela, a receita do setor deve ter redução de 2% a 3% em 2017, para até US$ 9,27 bilhões.

A crise de confiança na carnes brasileiras, provocada pela Operação Carne Fraca, também tem potencial de prejudicar o setor de defensivos, já que o insumo é utilizado na produção de milho – matéria-prima da ração de aves e suínos. "O impacto vai acabar chegando na ração, mas a gente não sabe quando e nem e qual vai ser a proporção", avaliou a executiva.

Entre as categorias de defensivos, os inseticidas foram os que registraram a maior queda nas vendas em 2016 – 12%. Essa categoria foi afetada pelo aumento do contrabando e falsificação.

Pela primeira vez, a categoria de fungincidas liderou as vendas. Outro movimento interessante no setor, apontou Fagnani, foi o aumento de vendas de produtos especiais. "Com valor médio maior, a maior participação desses produtos equilibrou mais o resultado final", afirmou.

Neste ano, alguns fatores macroeconômicos persistem e podem pressionar as vendas. "As incertezas econômicas continuam. A dificuldade de obtenção de crédito melhorou, mas a inadimplência tem aumentado", disse ela, destacando que o prazo para recebimento passou de 222 dias em 2014 para 327 dias em 2016.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor