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Receita da Cooxupé cai, mas sobras aumentam

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A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) registrou faturamento bruto de R$ 3,791 bilhões em 2016, uma queda de 5,3% na comparação com os R$ 4,002 bilhões do ano anterior. Mas as sobras – o equivalente ao lucro nas cooperativas – subiram quase 30% e totalizaram R$ 198,7 milhões.

Maior exportadora de café do Brasil, a cooperativa mineira recebeu 6,28 milhões de sacas do grão arábica em 2016, alta de 21% sobre as 5,19 milhões do ano anterior.

Diante da maior demanda das torrefadoras por café arábica no mercado interno, em decorrência da escassez da espécie conilon, a Cooxupé elevou as vendas domésticas em 2016 e exportou menos café. Os embarques de café verde da cooperativa para o exterior somaram 3,9 milhões de sacas em 2016 – haviam alcançado 4,1 milhões de sacas no ano anterior. Já as vendas no mercado interno subiram 27%, para 1,9 milhão de sacas de café.

Segundo o vice-presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, o recuo no faturamento da Cooxupé se deveu à redução dos preços do café. O aumento das vendas no mercado doméstico também influenciou o resultado, uma vez que as margens no mercado interno são menores, explicou ele.

Apesar da queda no faturamento, as sobras da Cooxupé cresceram em 2016 graças à utilização de mecanismos de fixação de preços pela cooperativa. "Já tínhamos feito operações com os preços mais altos, e então o mercado se retraiu", afirmou Melo.

Para este, a projeção da cooperativa é receber cerca de 6 milhões de sacas de café. Para alcançar essa meta, a Cooxupé terá de recorrer a compras de terceiros, uma vez que a safra na região deve ser menor, observou Melo. Ele avalia que o perfil das vendas este ano deve ser semelhante ao de 2016, uma vez que a oferta doméstica de conilon continua apertada, o que significa maior procura por arábica.

De acordo com o dirigente da Cooxupé, a meta é que faturamento este ano volte à casa dos R$ 4 bilhões. Atingir esse número, no entanto, depende dos preços do café, que estão em queda, e do comportamento do dólar.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor