.........

Reação da demanda doméstica começa a favorecer Kepler Weber

.........

A colheita recorde de grãos na safra 2016/17 deixou o déficit de armazenagem do país mais evidente e fez crescer o interesse pelos produtos da companhia gaúcha Kepler Weber, líder no segmento no mercado brasileiro. Porém, o movimento não foi o suficiente para que a companhia encerrasse o segundo trimestre do ano no azul.

De abril a junho, o número de orçamentos realizados foi 36% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano. O aumento, avaliou Olivier Colas, vice-presidente da companhia, refletiu os juros menores do Programa de Construção e Ampliação de Armazenagem (PCA) no Plano Safra 2017/18, que começou a vigorar em 1º de julho. Mas já houve um incremento efetivo da receita no período

A receita líquida da Kepler somou R$ 125 milhões, aumento de 41,6% na comparação anual. A receita com a comercialização de peças que fazem a movimentação dos granéis no porto retraiu 48%, para R$ 7,7 milhões, e o segmento de peças e serviços somou R$ 10 milhões, alta de 10,5%.

Mas a retomada de investimentos pelo agricultor ainda não se refletiu nas margens da companhia, já que a falta da confiança gerada pelas incertezas políticas continua a limitar a recuperação da rentabilidade. Segundo Colas, as margens "devem permanecer achatadas até o mercado voltar à normalidade".

Esse cenário levou a companhia a encerrar o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 5,2 milhões, 30,6% menor que as perdas de um ano antes. O prejuízo acumulado dos seis primeiros meses do ano diminuiu 16,8%, para R$ 11 milhões.

Com relação às exportações, a receita aumentou 4,3% no trimestre, para R$ 20,389 milhões. Nos seis primeiros meses do ano, houve retração de 21,3%. Conforme Colas, a demanda na América do Sul segue represada para projetos de grande porte, mas o potencial continua sendo grande na Argentina e Colômbia.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou negativo em R$ 1,1 milhão no trimestre passado, resultado 85,4% melhor que o visto no mesmo período de 2016.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor