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Rachadura em um dos dois cartéis que dominam potássio

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Vladislav Baumgertner / Vladislav Baumgertner

Baumgertner, da Uralkali: "Concorrência no mercado de potassa aumentará"

O mercado mundial de fertilizantes passou por uma reformulação de grandes proporções depois que a russa Uralkali, uma das maiores produtoras de nutrientes derivados do potássio do mundo, decidiu se retirar de um dos dois grandes cartéis globais do segmento. Com o movimento, as ações das empresas do ramo despencaram.

A Uralkali saiu do cartel de exportações Belarus Potash Corporation (BPC), que controlava quase 50% do mercado mundial de potassa (hidróxido de potássio, produto que entra nas formulações dos adubos) após ter dito que sua parceira na Belarus, a Belaruskali, estava infringindo um acordo e realizando vendas fora do combinado. De acordo com a Uralkali, o fim do cartel poderá levar a uma queda vertical de 25% nas cotações da potassa.

O colapso da BPC, que, ao lado da Canpotex, da América do Norte, controlava o mercado mundial de potassa, comprometeu as ações das empresas de fertilizantes. Os papéis da Uralkali caíram 17%, os da alemã K+S recuaram 21%, os da PotashCorp registraram baixa de 23% e os da Mosaic, de 22%.

Joel Jackson, da provedora de serviços financeiros BMO Capital Markets, de Toronto, disse que o esfacelamento do cartel BPC marca "o fim do universo da potassa da forma pela qual o conhecemos".

A potassa é essencial para a produção de fertilizantes, e até agora, os cartéis BPC e Canpotex – que inclui a PotashCorp, da Província canadense de Saskatchewan, a Agrium e a Mosaic – conseguiram controlar a oferta e manter os preços em patamares lucrativos.

Vladislav Baumgertner, principal executivo da Uralkali, disse que os preços da potassa poderão cair de US$ 400 para US$ 300 por tonelada depois que sua empresa decidiu paralisar todas as exportações realizadas por meio da BPC. Ele acrescentou que a cooperação dentro do quadro da BPC estava "completamente paralisada" e responsabilizou a Belaruskali e suas vendas fora da parceria por isso.

Com as vendas da Uralkali realizadas por meio de sua própria trading e com sua produção a 100% da capacidade, "prevemos que a concorrência no mercado de potassa aumentará, coisa que pressionará os preços, que poderão cair para níveis inferiores a US$ 300 a tonelada até o fim de 2013", afirmou Baumgertner. Ao mesmo tempo, a Uralkali tentará aumentar as vendas de 10,5 milhões de toneladas, volume previsto para este ano, para 14 milhões de toneladas em 2015.

A multinacional anglo-australiana BHP Billiton, maior mineradora do mundo em valor de mercado, deverá decidir em breve se vai ou não empenhar bilhões de dólares no desenvolvimento de uma mina para a produção de potassa no Canadá. E os preços internacionais atualmente estão sob pressão, entre outros fatores por conta da demanda fraca por parte da Índia.

A K+S, considerada uma das produtoras mais ameaçadas por uma eventual queda sustentada dos preços, disse estar irritada com o anúncio da Uralkali e insistiu que as tendências positivas de médio e longo prazo para os fertilizantes à base de potassa continuavam inalteradas. "Vamos monitorar atentamente o aparecimento de fatos novos", informou o grupo alemão.

O anúncio da Uralkali ocorreu dias depois de a empresa ter revelado que o bilionário russo Alexander Nesis vendeu sua participação de 5% no grupo. Suleiman Kerimov, outro bilionário russo, detém mais de 17% do capital da Uralkali. A companhia também anunciou que firmou um acordo com a importadora chinesa CNAMPGC para fornecer 500 mil toneladas de potassa até o fim do ano. (Tradução de Rachel Warszawski)

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Fonte: Valor | Por James Wilson e Emiko Terazono | Financial Times