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Queda do real tira suporte de commodities agrícolas nas bolsas de NY e Chicago

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A desvalorização do real em relação ao dólar, uma das consequências no mercado financeiro brasileiro provocadas pela delação dos executivos da JBS, ajudou a tirar sustentação as cotações das principais commodities exportadas pelo país ontem nas principais bolsas americanas.

Em Nova York, o movimento cambial tirou sustentação dos preços de café, açúcar e suco de laranja. Em Chicago, a soja foi o grão mais afetado, mas o mercado de milho também sofreu alguma influência. O Brasil é líder global em exportações de soja, café, açúcar e suco (é o segundo maior no caso do milho), e o fortalecimento da moeda americana em relação à brasileira é um fator de estímulo aos embarques – daí a queda dos preços.

A maior retração foi a do café. Os contratos com vencimento em julho (que ocupam a segunda posição de entrega) encerraram o pregão negociados a US$ 1,2965 por libra-peso, em baixa de 3,5% em relação à véspera. Os papéis do açúcar para setembro recuaram 0,4%, para 28,29 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os do suco (setembro) registraram retração de 0,2%, para US$ 1,4015 por libra-peso.

Na bolsa de Chicago, os contratos da soja para entrega em agosto caíram 2,9%, para US$ 9,4675. E os papéis do milho para entrega em setembro tiveram queda de 1,5%, para US$ 3,7375 por bushel.

Particularmente no segmento de grãos, o fortalecimento do dólar neste momento pode destravar a comercialização no Brasil, que está em ritmo lento nos últimos meses por conta do patamar mais baixo de preços em Chicago. E a oferta exportável já está à disposição, diferentemente do que acontece no mercado de milho, cujos embarques começarão a ganhar força nas próximas semanas com o avanço da colheita da safrinha, que está em fase inicial.

Por Fernanda Pressinott e Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor