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Queda das cotações eleva a competitividade da pluma

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Embora o algodão tenha perdido espaço nos últimos anos para as fibras sintéticas nas tecelagens, a desvalorização da pluma neste ano voltou a torná-la competitiva, mesmo com o petróleo também em baixa.

Na bolsa de Nova York, o petróleo WTI já caiu cerca de 40% desde janeiro, ao passo que na bolsa chinesa de Zhengzhou, o preço do poliéster negociado (PTA), uma das referências do mercado de fibras sintéticas, recuou 34% em 2014 – apenas entre novembro e dezembro, a queda foi de 12%. Também em Nova York, a desvalorização em 2014 chega a algodão As cotações do algodão, por sua vez, já cederam 28% em 2014.

Segundo o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), o índice de preços do algodão elaborado pela instituição inglesa Cotlook desceu ao mesmo patamar dos preços do poliéster chinês no segundo semestre deste ano, após ficarem mais elevados por um ano e meio.

É por conta desse cenário que analistas acreditam em uma retomada do uso de algodão pelas tecelagens em detrimento das fibras sintéticas. Gilson Pinesso, presidente da Abrapa, associação que representa os cotonicultores brasileiros, avalia que, mesmo que as cotações da pluma na bolsa de Nova York voltem ao patamar de US$ 0,70 a libra-peso, o produto ainda será mais competitivo que a matéria-prima artificial.

José Sette, presidente do Icac, também observa que a queda do petróleo não tem sido repassada totalmente ao poliéster. "Hoje a situação do algodão é mais saudável que dois a três anos atrás. Por isso, estimamos que a demanda deve se recuperar ainda no fim de 2014-safra e nos próximos anos", afirma.

Mesmo assim, como as estimativas indicam que a demanda por produtos que utilizam fibras deve crescer nos próximos anos, puxada por compras asiáticas, o Icac considera que a participação de mercado da pluma tende a continuar em queda. Em 2010, o algodão correspondia a mais de 30% das matérias-primas da indústria de tecelagem, mas em 2015 a fatia deve cair para 28%, e em 2020, para 26%, projeta o comitê.

Para alguns analistas, a queda do petróleo pode criar um "teto" para as altas das cotações do algodão, mas não há consenso no mercado sobre essa possibilidade.

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Fonte: Valor | Por De São Paulo