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Queda das commodities barateia ceia de Natal americana

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Daniel Acker/Bloomberg
Granja de perus em Illinois, nos EUA; recuo da cotação dos grãos usados na ração dos animais fez preços das aves caírem em relação ao ano passado no país

O custo do jantar de Natal deverá cair pela primeira vez em quatro anos graças à queda no preço das commodities alimentícias resultante da grande oferta mundial. Para os consumidores que sonhavam com um Natal mais barato, o recuo desses preços pode ser a resposta a seus desejos.

Depois de subir por três anos consecutivos, os ingredientes para um jantar de Natal deverão cair 5%, em meio à queda no preço da carne de peru, das batatas e da couve-de-bruxelas, segundo a firma de dados sobre commodities Mintec.

Os ingredientes necessários para fazer empadas de carne moída, por exemplo, caíram 15%, após o declínio nos preços da farinha, açúcar, frutas secas e laticínios. Até as árvores de Natal artificiais deverão estar mais baratas, já que o carvão, principal commodity por trás do PVC fabricado na China, teve forte queda.

"A produção excelente de grãos, oleaginosas e laticínios resultou em queda dos preços e deverá continuar nos próximos meses", afirmam analistas da Mintec.

No início do ano, os preços dos alimentos, que haviam oscilado bastante em tempos recentes, pareciam estar em tendência de alta. O clima favorável no planeta, contudo, ajudou a moderar os mercados – em especial, o de grãos -, que atualmente estão em seu patamar mais baixo em quatro anos, segundo a Agência para Agricultura e Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, um indicador ponderado pelo comércio internacional, que acompanha as variações de cereais, carnes, laticínios, óleos vegetais e açúcar nos mercados internacionais, está em seu menor patamar desde agosto de 2010.

Depois de alguns meses de estabilidade, o índice poderia ver mais volatilidade, afetado pelos mercados financeiros e pelo de energia, de acordo com Abdolreza Abbassian, economista sênior de grãos da FAO. "Os fundamentos da maioria das commodities alimentícias estão contabilizados nos preços, mas haverá mais volatilidade chegando dos mercados de câmbio e de petróleo", diz.

Enquanto isso, o recuo nas cotações das fontes de energia – o petróleo do tipo Brent caiu mais de 40% desde o pico em junho – poderia ajudar a reduzir o custo dos produtores de alimentos e resultar em preços agrícolas mais baixos, dizem alguns analistas.

"No que se refere às commodities agrícolas, não vimos o impacto total", diz Michael McDougall, da corretora Newedge, em Nova York. "Para produtores de commodities [a queda nos preços] é amarga, mas para os consumidores de commodities é uma bênção".

O declínio no preço dos grãos reduz os custos de ração e barateia a carne de peru. O preço da ave normalmente sobe antes do Natal, mas neste ano, vem ficando "consistentemente abaixo dos preços de 2013", segundo a Mintec.

O preço do peru está 4% abaixo do que estava há um ano, e o fato de os consumidores estarem se mostrando mais originais e buscando alternativas à tradicional ave também vem deprimindo o mercado.

O clima favorável resultou em grandes colheitas, e o preço das batatas e da couve-de-bruxelas caiu 15%, com outros vegetais também tendo ficado mais baratos. As salsichas tipo aperitivo enroladas em tiras de bacon – "pigs in blankets", como são conhecidas em inglês – também deverão estar mais em conta, já que a carne suína caiu 14%, como reflexo da maior produção e do veto russo à importação de alimentos de países Ocidente.

Já a queda nos preços das frutas secas, do açúcar e dos laticínios reduziu o custo das empadas de carne moída. Com os preços da uva passa em queda de 40% e os da groselha seca, de 32%, em relação à mesma época de 2013, os preços das frutas secas recuaram 22%. O açúcar está em baixa porque a oferta mundial é grande e o preço da manteiga recuou 35%, graças à oferta elevada de leite e ao veto russo às importações.

Paralelamente, o declínio de 25% no carvão asiático vai elevar os lucros dos fabricantes chineses de árvores de Natal artificiais.

Nem todas as commodities, no entanto, estão em queda neste ano. O café e o chocolate deverão estar mais caros, já que o preço dos grãos do tipo arábica subiu mais de 60% com a seca no Brasil no início do ano e o cacau, cerca de 10%, afetado pelo clima e pelos receios com o ebola.

A alta no preço das nozes também vai elevar os custos dos confeiteiros. O preço da avelã mais do que dobrou neste ano, impactado pelos danos provocados por geadas na Turquia, maior produtor. As amêndoas estão em alta de 20%, sob influência da seca na Califórnia, maior região produtora, que reduziu o tamanho das sementes.

A celulose pode não soar como uma commodity que tenha muito a ver com o Natal, mas é a principal matéria-prima usada em papéis de embrulho e fitas adesivas. Os preços da celulose de fibra longa europeia aumentaram quase 13% em relação ao mesmo período de 2013, sustentados pelos baixos estoques e pelo aumento na demanda. (Tradução de Sabino Ahumada)

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Fonte: Valor | Por Emiko Terazono | Financial Times