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Quarta safra seguida com ‘sobra’ mantém o açúcar sob pressão

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Em baixo patamar nos últimos meses, em razão da confortável relação entre oferta e demanda que marca a safra internacional 2012/13, atualmente em seu último trimestre, as cotações do açúcar já refletem as perspectivas para a produção no ciclo 2013/14 e não encontram nessa frente muito espaço para altas significativas.

Em 2012/13, como aponta a análise mais recente do banco holandês Rabobank sobre esse mercado, o excedente, calculado em 12 milhões de toneladas, é o quarto seguido e o maior em 15 safras. Estimativas preliminares do banco holandês sinalizam que esse excedente deverá recuar para 3,7 milhões de toneladas em 2013/14 – uma queda expressiva, mas para um nível ainda elevado dada a "herança" de 2012/13 e apesar do perfil mais "alcooleiro" do ciclo canavieiro no Brasil, maior produtor e exportador de açúcar.

Conforme divulgou ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), nos três primeiros meses da temporada 2013/14, iniciada no país em abril, a moagem de cana no Centro-Sul brasileiro alcançou 180,981 milhões de toneladas, 41% mais que em igual intervalo do ciclo 2012/13. No mesmo período, a produção de açúcar na região alcançou 8,895 milhões de toneladas, um incremento de 33% na comparação.

Mesmo que as vendas de etanol (anidro e hidratado) tenham aumentado mais (58%), confirmando o perfil "alcooleiro" estimulado pela melhor remuneração proporcionada pelo biocombustível, trata-se de um crescimento considerável que mantém os preços internacionais nas cordas. A valorização do dólar em relação ao real beneficia os exportadores nesse contexto de preços baixos tanto no caso do açúcar quanto do etanol – cujos embarques aos Estados Unidos estão particularmente aquecidos.

De acordo com o Rabobank, a produção de açúcar da Índia tende a recuar 8% em 2013/14, para 23 milhões de toneladas, em razão da redução da área plantada com cana no Estado de Maharashtra, que lidera a produção do país, após uma severa estiagem em 2012. O patamar previsto é próximo do consumo, o que reduzirá o volume exportável indiano, mas com efeitos limitados no tabuleiro global – até porque o foco do país é atender sua demanda interna. Em 2012/13, a produção indiana deverá totalizar 25 milhões de toneladas, para um consumo estimado em aproximadamente 22,5 milhões.

Já a Tailândia, onde o açúcar vem ganhando importância com foco na exportação, o volume previsto deverá crescer para 11 milhões de toneladas em 2013/14, em linha com um projetado aumento de 10% na moagem de cana em relação às 100 milhões de toneladas registradas na recém-concluída temporada 2012/13. O Rabobank enfatiza que esse salto dependerá de condições climáticas "normais". A evolução tailandesa no mercado global de açúcar é acompanhada de perto por grupos brasileiros interessados em originar a commodity no país para atender à demanda de países da Ásia.

Também chama a atenção na análise do Rabobank a estimativa de que a produção de beterraba na União Europeia deverá ocupar 1,42 milhão de hectares em 2013/14, área um pouco menor que a de 2012/13. Assim, a produção de açúcar de beterraba no bloco poderá chegar a 17 milhões de toneladas. Paralelamente, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da UE segue em discussão e poderá abolir cotas de açúcar e preços mínimos da beterraba.

Os fatores da equação indicam, dessa forma, que o Brasil tende a ser o principal fator de pressão sobre as cotações internacionais do açúcar em tempos de demanda internacional incerta graças à crise europeia, à desaceleração chinesa e à lenta recuperação americana. E que o espaço para uma recuperação expressiva das cotações internacionais é mesmo bastante limitado, o que reforça a opção das companhias sucroalcooleiras brasileiras pelo etanol.

Na bolsa de Nova York, a cotação média dos contratos futuros de segunda posição de entrega do açúcar ficou em 17,9 centavos de dólar por libra-peso no primeiro semestre, o menor patamar desde o primeiro semestre de 2009. De acordo com cálculos do Valor Data, em relação à média do segundo semestre de 2012 houve queda de 13,1%. Na comparação com o primeiro semestre do ano passado, a retração foi de 20,1%. (FL)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo