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Qual a vantagem de alimentos biofortificados?

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Técnica de melhoramento genético natural fornece produtos comprovadamente eficientes no combate à fome

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A biofortificação é uma técnica de melhoramento genético natural, que possibilita elevar o teor de micronutrientes dos alimentos como pró-vitamina A, ferro e zinco, melhorando sua qualidade nutricional. O principal objetivo é aumentar os teores de vitaminas e nutrientes em alimentos tradicionalmente consumidos por populações carentes e contribuir para a segurança alimentar no país.

A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical por meio do Programa de Melhoramento de Mandioca para Biofortificação desenvolveu variedades de mandiocas biofortificadas.  O uso da técnica pela pesquisa brasileira já possibilitou o lançamento de um leque de produtos biofortificados (arroz, feijão, milho, mandioca, batata-doce e trigo). 

Pesquisas comprovam que os alimentos biofortificados são uma alternativa eficiente no combate à fome oculta, problema que afeta mais de dois bilhões de pessoas em todo o mundo.

De acordo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 48% das crianças com menos de cinco anos de idade apresentam anemia (deficiência de ferro) e 30% tem deficiência de vitamina A. No Brasil, 55% das crianças nessa mesma faixa etária apresentam carência de ferro e 13% tem níveis de vitamina A abaixo do que se recomenda.

Mandioca biofortificada

O mercado brasileiro já conta com mandiocas biofortificadas tanto para a produção de farinha como para o consumo in natura.  Segundo a pesquisadora Patrícia Flores, as variedades para mesa perdem menos nutrientes no cozimento do que as indicadas para a fabricação de farinha.

No processo de transformação para farinha, boa parte dos nutrientes vai embora com a água resultante da prensagem da massa e durante o tempo de armazenamento do produto. As raízes cozidas apresentam valores de retenção de caroteno entre 79% e 82%, resultando em um alimento mais rico em vitaminas.

A mandioca é a cultura de maior expressividade agrícola no Acre, importante fator de geração de trabalho e renda no campo e fonte de alimento para a população.  Para tornar este alimento mais nutritivo, há vários anos a Embrapa desenvolve pesquisas de melhoramento genético por meio da biofortificação.

No Acre, diversas variedades de mandioca biofortificadas, destinadas ao consumo in natura, são estudadas para recomendação de plantio e cultivo nas condições de clima e solo do estado.

Com a nova pesquisa o estado contará com mandiocas mais nutritivas, a exemplo de outras localidades, como Bahia, Sergipe, Maranhão e Piauí, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que já cultivam alimentos biofortificados.

As pesquisas com mandiocas biofortificadas envolvem testes de produtividade, produção de matéria seca e amido, testes de presença de carotenoides (betacaroteno), tempo de cozimento e avaliações de características industriais, em diferentes épocas de plantio (6, 8, 10 e 12 meses). A previsão é que em 2017 essas variedades estejam disponíveis para produtores dos diversos municípios acreanos.

Diva Gonçalves/Embrap
Fonte: Canal Rural