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Pátria compra sua primeira fazenda

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Ana Paula Paiva/Valor

Conforme Antonio Wever, sócio para Agribusiness do Pátria, expectativa é encerrar 2018 com seis fazendas na carteira

Após quase dois anos de rodadas para captação de US$ 300 milhões e 7 milhões de hectares mapeados, o Pátria Investimentos deu início às compras de fazendas agrícolas no país. A gestora, mais conhecida pelos aportes nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e no setor imobiliário, fincou seu pé na terra com a aquisição parcial de uma fazenda em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, com foco em soja e algodão. Outras três propriedades rurais estão em processo de "due diligence" e devem ter o negócio concluído até o primeiro trimestre do próximo ano.

A decisão do Pátria de apostar na nova divisão de terras – o "real estate caipira", como brincam seus executivos – foi tomada diante do cenário de preços mais baixos da terra e do potencial de crescimento do campo no longo prazo. É também uma resposta à demanda dos próprios investidores, já posicionados em outros negócios de logística ou em empresas do agronegócio, para maior exposição ao plantio.

Segundo Antonio Wever, sócio para Agribusiness, a expectativa é encerrar 2018 com seis fazendas na carteira, totalizando entre 25 mil e 30 mil hectares de área.

O modelo adotado prevê a compra de fazendas produtivas de médio porte – com maior liquidez – e também áreas de pastagens degradadas aptas à futura conversão para grãos. De acordo com o executivo, são lotes de três mil a sete mil hectares. As áreas mapeadas, por sua vez, correm em um eixo diagonal do país – do Oeste da Bahia até o Mato Grosso, passando por Tocantins, Piauí, Maranhão e o Sudeste do Pará. É ali que estão as "condições de entrada" mais atrativas (preços baixos) e as maiores extensões disponíveis para o cultivo.

Em Luís Eduardo Magalhães, a área recém-adquirida tem 3 mil hectares, de um total de 8 mil hectares. Em diligência estão uma segunda propriedade no município baiano, outra em Mato Grosso e uma terceira em Tocantins, segundo o Wever, que ainda não abriu mais detalhes.

Diferentemente de outras empresas de terras, o Pátria se limitará a ser um investidor: adquire a propriedade rural, ou parte dela, e a arrenda, preferencialmente para o próprio vendedor.

Desde 2011, o Pátria vem montando seu portfólio no setor agrícola, seja em fundos de infraestrutura ou de private equity. A gestora detém o controle acionário da Agrichem, de fertilizantes especiais concentrados, da AC Café (dona da marca Café do Centro) e da Frooty, empresa de açaí. Em setembro, a gestora fez sua primeira incursão em ativo agrícola na Colômbia, com a compra do controle do Grupo Gral, líder de revenda de insumos agrícolas naquele país. O valor do negócio não foi revelado.

Segundo o Pátria, os ativos agrícolas já representam quase 20% da carteira de investimentos.

  • Por Bettina Barros | De São Paulo
  • Fonte : Valor