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Protocolo de Kyoto mais perto de ser renovado

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Fonte: Valor | Por Daniela Chiaretti | De Durban

O Protocolo de Kyoto pode ser prolongado pela CoP-17, a conferência sobre mudança climática da ONU em Durban. Mas como seria a sobrevida do único acordo climático global ainda é nebuloso.

Christiana Figueres, secretária-executiva da ONU para mudança climática, disse que os delegados dos quase 200 países reunidos em Durban discutem "como" Kyoto será renovado, e não "se".

Pouco depois, chefes das delegações chinesa e americana disseram que estão dispostos para aceitar um acordo internacional legalmente vinculante a partir de 2020.

O negociador chinês Xie Zhenhua reforçou que a China pode assumir compromissos obrigatórios, mas colocou condições – a primeira delas, que se respeite o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, que exista uma diferença entre o sacrifício imposto a economias dos países ricos e a dos outros, inclusive emergentes. Outra condição é que, até 2020 os países ricos financiem os US$ 100 bilhões para reduzir os efeitos do aquecimento global em lugares mais carentes.

Enquanto isso, os europeus esperam que os outros se decidam. Artur Runge-Metzger, comissário de meio ambiente da União Europeia e chefe dos negociadores europeus, repetia que a UE estará no segundo período de compromissos de Kyoto se os outros países concordarem com seu "mapa do caminho", que inclui chegar a 2015 com um acordo forte, ambicioso e vinculante. A data é anterior à proposta defendida pelo Brasil, de ter o tal acordo em 2020.

O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira, disse que a continuidade de Kyoto é ponto fundamental para os países em desenvolvimento. Adiantou que pode sair de Durban também o processo que levará o mundo entre 2013 e 2020 a cortar emissões, investir em tecnologias limpas e adaptar-se.

"O desafio é colocar mais ambição na mesa", desconfiava Carlos Rittl, coordenador do programa de mudança climática do WWF-Brasil. "É preciso ver quão rápido conseguimos reduzir emissões. Ou saímos do trilho que a ciência recomenda, de não deixar que a temperatura aumente mais de 2ºC."