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Projeção de área recorde

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Com alta no preço da soja por causa da seca nos EUA, Brasil deve plantar 28 milhões de hectares

Venda da oleaginosa chega a 50% no Mato Grosso e a 15% no Estado<br /><b>Crédito: </b> YASUYOSHI CHIBA / AFP / CP

Venda da oleaginosa chega a 50% no Mato Grosso e a 15% no Estado
Crédito: YASUYOSHI CHIBA / AFP / CP

O recuo de 4,8% na estimativa de produção de soja e de 12,31% na de milho no Estados Unidos, apontado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) devido à pior seca no país desde 1956, fez os preços das commodities decolar. E deve impulsionar uma área sem precedente com soja no Brasil na safra 2012/13. A tendência é de avanço sobre plantios de milho e até de algodão. A frustração no maior produtor e exportador mundial da oleaginosa ainda pode abrir mercados, até então, atendidos pelos americanos, como a China, que deve importar 61 milhões de t. Segundo projeção da AgRural, a área brasileira com soja pode chegar a 28 milhões de ha ante os 25 milhões recordes em 2011/12. E, pela primeira vez, o Brasil poderá assumir a ponta. O assessor econômico da Farsul, Antônio da Luz, acredita que a lacuna deixada pelos EUA será suprida pelo Brasil, vice-líder na produção.
Conforme o USDA, hoje, os EUA devem produzir 83 milhões de toneladas, recuo de 0,19% sobre a safra anterior e o Brasil, 78 milhões de t, 20% a mais. Segundo Luz, apesar do percentualmente baixo de quebra, o recuo nos é enorme, considerando os 90 milhões de toneladas perseguidas desde a safra 2010/11 nos Estados Unidos. Apesar do cenário de preço convidativo, o analista da Safras e Mercado, Flávio França Junior, ressalva que é preciso considerar que as cotações continuarão oscilando de acordo com o clima. Ainda assim, neste mês, o buschel bateu dois recordes na Bolsa de Chicago. Ontem, segundo o Cepea, a saca de 60 quilos no Porto de Paranaguá, referência no país, chegou a R$ 81,00, 90,85% acima dos R$ 42,44 em igual período de 2011. Internamente, o valor bateu em R$ 78,08, alta de 66% no período.
Frente ao momento, os produtores brasileiros apostam na venda futura. Após a forte seca sobre a agricultura gaúcha, 15% da safra estadual 2012/13 está comercializada frente a menos de 5% históricos, indica a Safras e Mercados. No Mato Grosso, o índice beira 50% contra até 20% em anos anteriores. "Esta será uma safra de recuperação em que a soja será plantada na área de outras culturas e também de pastagens degradadas", acredita França Júnior. Para o analista do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, Cleber Noronha, a soja deve avançar em 400 mil hectares no estado, incremento de 14% sobre os 2,7 milhões de ha da última safra. Devido às oscilações, Antonio Luz recomenda que o produtor use ferramentas do mercado financeiro para travar o preço. "O produtor deve visualizar que o preço tem que estar bom em abril, quando começa a colheita."
O problema climático norte-americano abre oportunidades também para o milho brasileiro, já que a produção dos EUA tende a 329 milhões de t. O analista de milho da Safras e Mercados, Paulo Molinari, diz que a valorização de preço estimula elevação de área no Brasil, mas com o preço nas alturas da soja, uma migração será inevitável. "Há um mês, o preço da saca do milho no porto era de R$ 26,00, com tendência de baixa, se falava em safra recorde nos Estados Unidos, agora está a R$ 35,00, em alta."

Fonte: Correio do Povo