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Projeções do USDA e China derrubam preços de grãos

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Novas estimativas divulgadas ontem pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicaram estoques finais globais maiores de milho na safra internacional 2014/15, que terminará em 31 de agosto, sinalizaram relações de oferta e demanda mais confortáveis para milho, trigo e soja em 2015/16, no país e no mundo (exceto para a oleaginosa) e derrubaram, com a ajuda de mais uma desvalorização do yuan, os preços do trio em Chicago.

No quadro do milho, grão mais cultivado no mundo, o USDA elevou sua projeção para os estoques finais globais em 2014/15 em 1,8% em relação ao cálculo de julho, para 197,1 milhões de toneladas – 12,8% mais que em 2013/14. E, mesmo que tenha projetado queda de 1,2% nessa frente em 2015/16, para 195,1 milhões de toneladas, o órgão apontou relações mais folgadas entre estoques finais e demanda total no mundo e nos EUA na nova temporada.

No tabuleiro global, os estoques deverão representar, segundo o USDA, 19,7% da demanda em 2015/16, ante os 19,2% previstos em julho e os 20,1% de 2014/15. No americano, a conta passou a resultar em 14,4% (acima dos 13,5% estimados em julho), ante 15% na safra anterior. Diante desses dados e da perspectivas de maior concorrência do Brasil e da Argentina nas exportações – e em meio a uma nova desvalorização da moeda chinesa em relação ao dólar, que já havia derrubado as cotações na véspera – os preços desabaram em Chicago. Os contratos mais negociados (dezembro) caíram 5%, para US$ 3,68 por bushel. Na terça-feira, a baixa havia sido de 3,4%.

No mercado de trigo não houve o peso de um aumento de estoques finais em 2014/15 – ao contrário, a projeção do USDA caiu -, mas a relação entre reservas e demanda nos EUA e no mundo em 2015/16 também ficaram confortáveis após as correções efetuadas pelo órgão. No país, os novos números sinalizaram que os estoques finais representarão 68,6% da demanda, ante os 67,9% previstos em julho e os 65,2% de 2014/15. No mundo, a relação passou a apontar para 31%, acima dos 30,8% projetados em julho e dos 29,6% do ciclo passado. Em Chicago, o pessimismo também deu o tom. Os papéis mais negociados (setembro), que já haviam recuado 3,5% na terça-feira, caíram mais 3% e fecharam a US$ 4,9225 por bushel.

Mas nenhum dos dois cereais sofreu tanto quanto a soja. Em primeiro lugar porque o comércio da oleaginosa é amplamente dependente da China, e os reflexos da desvalorização do yuan, com isso, são amplificados. Além disso, as correções efetuadas pelo USDA para o mercado americano também não foram bem recebidas e anularam qualquer efeito positivo que poderia ser provocado pelo profundo corte feito na projeção para os estoques finais globais em 2015/16.

Ao fim e ao cabo, o órgão passou a calcular os estoques finais americanos em 23,6% da demanda total do país, ante os 23,4% estimados em julho e os 11,8% de 2014/15. No mundo, agora estima os estoques em 28% da demanda, abaixo dos 30% projetados em julho, mas ainda acima dos 27,1% da temporada anterior. Também nessa área o cenário traçado aponta para uma concorrência acirrada com o Brasil nas exportações, com vantagem para os brasileiros. Em Chicago, s contratos mais negociados (novembro) caíram mais 6,3%, para US$ 9,10 por bushel, após recuarem 2,3% na terça. E isso porque o órgão elevou a previsão para as importações da China em 2015/16 de 77,5 milhões para 79 milhões de toneladas, 2 milhões a mais que em 2014/15.

Por Fernando Lopes, Camila Souza Ramos e Fernanda Pressinott | De São Paulo
Fonte : Valor