Programa ABC aumenta receita por área

Ruy Baron/Valor

Caio Rocha: meta de recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens

Veterinário por formação, produtor de grãos e pecuarista, Adolfo Petry embarcou em 2011 no Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito-Estufa na Agricultura (Programa ABC), linha de crédito criada em agosto do ano anterior para financiar a adoção de tecnologias e práticas de manejo que contribuam para a reconversão ambiental da agropecuária brasileira, ampliando o potencial do setor para capturar carbono e, como diz o seu título pomposo, poupar emissões, ajudando o país a cumprir metas assumidas internacionalmente nesta área.

O programa foi concebido como parte do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, mais conhecido simplesmente como Plano ABC. Para tornar a atividade sustentável, num cenário de pressões ambientais crescentes, especialmente numa região crítica como a Amazônia Legal, Petry acredita que o caminho seja aumentar o sequestro de dióxido de carbono (CO2).

O produtor tem endereço fixo em Campo Novo dos Parecis, no oeste de Mato Grosso, mas no início de 2011 decidiu arriscar-se um pouco mais ao norte, investindo na compra de uma propriedade de quase 2 mil hectares na região de Juara, dos quais em torno de mil hectares ocupados por pastagens. "A área estava degradada, com capacidade produtiva extremamente baixa, e não conseguia dar suporte para 700 cabeças", conta o produtor. Na média, a taxa de ocupação do pasto mal se sustentava em 0,7 unidade por hectare.

No ano seguinte, Petry deu entrada à primeira proposta de financiamento no Programa ABC, projeto que previa a recuperação de aproximadamente 300 hectares. Mais dois contratos foram firmados em 2013 e em 2014, cobrindo em torno de 580 a 600 hectares no total, o que significará, ao final deste ano, a recomposição de praticamente metade da área degradada, a um custo estimado em R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por hectare.

Os recursos foram contratados a juros de 5% ao ano, com prazo de 12 anos e três de carência. "O programa é maravilhoso, extremamente viável do ponto de vista econômico, pois possibilita, a um juro relativamente baixo, um aumento de produção por unidade de área, reduzindo a pressão para incorporar novas áreas ao processo produtivo", entusiasma-se.

Além disso, continua, o balanço entre emissões e sequestro de carbono equivalente passa a ser muito mais positivo, "o que torna o programa muito interessante do ponto de vista do meio ambiente".

Com metade da área, os pastos já conseguem manter perto de 2 mil animais em regime de recria, o que significa uma ocupação em torno de quatro unidades por hectare ou cinco vezes mais do que a taxa observada antes do investimento. "Com manejo, podemos chegar a 2,5 mil bois por ano no mesmo espaço", afirma. O aumento da produção permitiu multiplicar a receita bruta por seis, em grandes números, saltando de R$ 348 por hectare/ano para R$ 2.088.

A vantagem veio, ainda, sob a forma de uma melhora mais do que proporcional na pegada de carbono da propriedade. Adotando metodologia reconhecida no mundo acadêmico, Petry estima que o volume de CO2  sequestrado de forma líquida, ou seja, descontadas as emissões, aumentou 13 vezes, saindo de 4.270 quilos por hectare ao ano para 55.665 quilos.

O trabalho iniciou-se, na verdade, antes da aquisição da terra, com análises detalhadas do solo, talhão a talhão. Depois da compra, a área de pastos foi gradeada, recebeu calagem para correção do Ph e adubação. Petry trocou o braquiária escolhido pelo antigo proprietário por capins das variedades massai e mombaça, com potencial produtivo mais elevado, mais adequadas às condições climáticas naquela região e, sobretudo, mais resistentes aos ataques de cigarrinha, praga comum por ali.

Até o final da década, as metas do programa deverão contemplar, segundo Caio Rocha, secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa): a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, num investimento estimado em R$ 33 bilhões; a implantação de 4 milhões de hectares com sistemas de integração lavoura, floresta e pecuária (dos quais 2,76 milhões de hectares pela agricultura familiar); a expansão da técnica de plantio direto para mais 8 milhões de hectares; o aumento de 50% na área de florestas cultivadas, com inclusão de mais em 3 milhões de hectares; além da introdução da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares, reduzindo ou eliminando o uso de fertilizantes nitrogenados, e o tratamento de 4,4 milhões de metros cúbicos de dejetos animais. Essas medidas deverão exigir crédito equivalente a R$ 157 bilhões até 2020.

Desde a safra 2010/2011, foram contratados R$ 8,162 bilhões, nas contas de Rocha, dos quais perto de 70% destinados ao financiamento da recuperação de pastos. "Vamos centrar o programa na recomposição de pastagens nas áreas mais críticas dentro da Amazônia Legal", afirma o secretário.

Para dar substância ao programa, ajustar seu alcance e aprimorar a contratação do crédito, ainda de acordo com Rocha, o governo vem reforçando sua divulgação e investe na capacitação de 300 agentes financeiros, numa parceria entre Mapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Febraban, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Embrapa.

O prazo entre a apresentação da proposta e a liberação do crédito, conforme Rocha, tem variado entre seis a oito meses e a meta é reduzir isso para 30 dias.

Em outra iniciativa, o Mapa e a CNA desenvolveram uma plataforma com uma centena de projetos técnicos, envolvendo ensaios e simulações diversas de impactos

Veterinário por formação, produtor de grãos e pecuarista, Adolfo Petry embarcou em 2011 no Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito-Estufa na Agricultura (Programa ABC), linha de crédito criada em agosto do ano anterior para financiar a adoção de tecnologias e práticas de manejo que contribuam para a reconversão ambiental da agropecuária brasileira, ampliando o potencial do setor para capturar carbono e, como diz o seu título pomposo, poupar emissões, ajudando o país a cumprir metas assumidas internacionalmente nesta área.

O programa foi concebido como parte do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, mais conhecido simplesmente como Plano ABC. Para tornar a atividade sustentável, num cenário de pressões ambientais crescentes, especialmente numa região crítica como a Amazônia Legal, Petry acredita que o caminho seja aumentar o sequestro de dióxido de carbono (CO2).

O produtor tem endereço fixo em Campo Novo dos Parecis, no oeste de Mato Grosso, mas no início de 2011 decidiu arriscar-se um pouco mais ao norte, investindo na compra de uma propriedade de quase 2 mil hectares na região de Juara, dos quais em torno de mil hectares ocupados por pastagens. "A área estava degradada, com capacidade produtiva extremamente baixa, e não conseguia dar suporte para 700 cabeças", conta o produtor. Na média, a taxa de ocupação do pasto mal se sustentava em 0,7 unidade por hectare.

No ano seguinte, Petry deu entrada à primeira proposta de financiamento no Programa ABC, projeto que previa a recuperação de aproximadamente 300 hectares. Mais dois contratos foram firmados em 2013 e em 2014, cobrindo em torno de 580 a 600 hectares no total, o que significará, ao final deste ano, a recomposição de praticamente metade da área degradada, a um custo estimado em R$ 1 mil a R$ 1,5 mil por hectare.

Os recursos foram contratados a juros de 5% ao ano, com prazo de 12 anos e três de carência. "O programa é maravilhoso, extremamente viável do ponto de vista econômico, pois possibilita, a um juro relativamente baixo, um aumento de produção por unidade de área, reduzindo a pressão para incorporar novas áreas ao processo produtivo", entusiasma-se.

Além disso, continua, o balanço entre emissões e sequestro de carbono equivalente passa a ser muito mais positivo, "o que torna o programa muito interessante do ponto de vista do meio ambiente".

Com metade da área, os pastos já conseguem manter perto de 2 mil animais em regime de recria, o que significa uma ocupação em torno de quatro unidades por hectare ou cinco vezes mais do que a taxa observada antes do investimento. "Com manejo, podemos chegar a 2,5 mil bois por ano no mesmo espaço", afirma. O aumento da produção permitiu multiplicar a receita bruta por seis, em grandes números, saltando de R$ 348 por hectare/ano para R$ 2.088.

A vantagem veio, ainda, sob a forma de uma melhora mais do que proporcional na pegada de carbono da propriedade. Adotando metodologia reconhecida no mundo acadêmico, Petry estima que o volume de CO2  sequestrado de forma líquida, ou seja, descontadas as emissões, aumentou 13 vezes, saindo de 4.270 quilos por hectare ao ano para 55.665 quilos.

O trabalho iniciou-se, na verdade, antes da aquisição da terra, com análises detalhadas do solo, talhão a talhão. Depois da compra, a área de pastos foi gradeada, recebeu calagem para correção do Ph e adubação. Petry trocou o braquiária escolhido pelo antigo proprietário por capins das variedades massai e mombaça, com potencial produtivo mais elevado, mais adequadas às condições climáticas naquela região e, sobretudo, mais resistentes aos ataques de cigarrinha, praga comum por ali.

Até o final da década, as metas do programa deverão contemplar, segundo Caio Rocha, secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa): a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, num investimento estimado em R$ 33 bilhões; a implantação de 4 milhões de hectares com sistemas de integração lavoura, floresta e pecuária (dos quais 2,76 milhões de hectares pela agricultura familiar); a expansão da técnica de plantio direto para mais 8 milhões de hectares; o aumento de 50% na área de florestas cultivadas, com inclusão de mais em 3 milhões de hectares; além da introdução da fixação biológica de nitrogênio em 5,5 milhões de hectares, reduzindo ou eliminando o uso de fertilizantes nitrogenados, e o tratamento de 4,4 milhões de metros cúbicos de dejetos animais. Essas medidas deverão exigir crédito equivalente a R$ 157 bilhões até 2020.

Desde a safra 2010/2011, foram contratados R$ 8,162 bilhões, nas contas de Rocha, dos quais perto de 70% destinados ao financiamento da recuperação de pastos. "Vamos centrar o programa na recomposição de pastagens nas áreas mais críticas dentro da Amazônia Legal", afirma o secretário.

Para dar substância ao programa, ajustar seu alcance e aprimorar a contratação do crédito, ainda de acordo com Rocha, o governo vem reforçando sua divulgação e investe na capacitação de 300 agentes financeiros, numa parceria entre Mapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Febraban, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Embrapa.

O prazo entre a apresentação da proposta e a liberação do crédito, conforme Rocha, tem variado entre seis a oito meses e a meta é reduzir isso para 30 dias.

Em outra iniciativa, o Mapa e a CNA desenvolveram uma plataforma com uma centena de projetos técnicos, envolvendo ensaios e simulações diversas de impactos, que estará à disposição dos produtores com o objetivo de acelerar a análise e aprovação dos projetos pelos bancos. De acordo com Rocha, nos dois primeiros meses do ciclo 2014/15, julho e agosto, as contratações alcançaram R$ 425,1 milhões, 77% superiores às de mesmo período do ano passado.

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Fonte: Valor | Por De Goiânia