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Produtores voltam a plantar grãos de inverno

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Solo excessivamente úmido prejudicou trabalhos nas plantações de trigo, afirma Emater

A retomada do plantio do trigo recomeçou nesta semana, em que pese o solo excessivamente úmido para tal atividade. Segundo a Emater, alguns produtores ainda realizam operações de dessecação nas lavouras a serem cultivadas, contando que as condições reinantes melhorem e as operações cheguem a um resultado satisfatório, evitando assim maiores gastos. Outros se deparam com a necessidade de um novo manejo químico nas lavouras já dessecadas, repondo novamente fertilizantes e herbicidas para que as sementes tenham uma germinação adequada.

Nas áreas onde as chuvas foram mais intensas, muitas das lavouras mostram a necessidade de correção dos efeitos causados pelas enxurradas, como nivelamento de erosões, reconstrução de terraços, limpeza de canais escoadores, bem como a reconstrução das vias internas para o deslocamento das máquinas. Nesse cenário, dependendo da região produtora, a semeadura se encontra muito atrasada, podendo resultar inclusive na desistência de plantio de algumas áreas.

Segundo informações da Emater, só foi possível semear, até o momento, pouco mais de 83 mil hectares no Estado, o que representa aproximadamente 12% da área prevista para este ano. Dessa forma, o total previsto para o plantio seguramente deverá ser revisado face às circunstâncias. Esse percentual já teria ultrapassado 50% se considerada a média dos últimos cinco anos. Esse fato preocupa os produtores, pois já está se aproximando o final do período recomendado para o plantio dentro do zoneamento agroclimático, principalmente para as variedades precoces.

Áreas implantadas antes do período de alta umidade e chuvas prolongadas apresentam, de forma indistinta, plantas amareladas, estioladas e com vários problemas causados pela pouca luminosidade, deixando-as suscetíveis às doenças fúngicas.

As condições climáticas favoráveis também incentivaram a retomada da semeadura da cevada. Os trabalhos serão concentrados na dessecação das áreas e no plantio, uma vez que este está muito atrasado. Historicamente, neste período, nas principais regiões produtoras, já teria sido plantada 80% da área. Ocorrem plantas amareladas e problemas de erosão nas lavouras já implantadas. O preço médio de referência no Estado está em R$ 31,50 a saca.

Com o plantio iniciado da aveia branca, mas interrompido com a continuidade das chuvas no período passado, os produtores retomaram os trabalhos de implantação das lavouras nesta semana. Nas áreas já semeadas anteriormente, o desenvolvimento vegetativo está muito ruim devido ao clima, sem insolação e chuvas frequentes. Há pontos das lavouras com mortandade de plantas em solos baixos, encharcados e com pontos de alagamentos.

A previsão de manter ou ampliar a área do ano passado poderá não acontecer, pois, com o clima adverso, não foi possível implantar a cultura no período recomendado pelo zoneamento agroclimático em muitas regiões, e os produtores que possuem financiamento estão procurando as agências bancárias para resolver este impasse. Há produtores com financiamento sem liberação de recursos nem realização de semeadura no período recomendado. Também há expectativa dos produtores e agentes financeiros relativa à prorrogação do período de implantação da cultura.

Semeadura da canola está perto do fim nas regiões produtoras

Com a volta do sol e ausência de chuvas na região do Planalto Médio, deverão ocorrer a retomada e a conclusão do plantio da canola, uma vez que faltam aproximadamente 5% da área a ser semeada. Nas áreas já instaladas, o padrão das lavouras é regular, prejudicadas pelo excesso de chuvas e baixa luminosidade, deixando as plantas raquíticas e com densidade baixa por área ocupada. Os tratos culturais fazem-se necessários com urgência, principalmente o controle das invasoras e a aplicação de nitrogênio em cobertura.

Nas regiões Celeiro, Alto Jacuí e Noroeste Colonial, com a maior área a ser implantada com essa cultura, as lavouras mantêm atraso no plantio em relação aos anos anteriores, mas com possibilidade de implantação até o final de junho. Nessa última semana, o clima permitiu a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura e o controle de ervas. Produtores que não encerraram o plantio estão contatando empresas para devolver os insumos cuja utilização não foi possível. Áreas implantadas apresentam desenvolvimento inicial lento e falhas na emergência.

Também nas Missões e na Fronteira Noroeste, nesta semana, foi retomado o plantio da canola e será possível realizar uma avaliação das perdas nas áreas plantadas antes das chuvas. Há possibilidade de redução da área cultivada, devido à necessidade de replante em algumas áreas e por não ter mais semente disponibilizada para comercialização.

Colheita do feijão é retomada no Estado

Com o retorno do sol e as perspectivas de bom clima para os próximos dias, a colheita do feijão de segunda safra deverá ser retomada nas poucas áreas ainda em finalização. Entretanto muitas dessas lavouras apresentaram perdas significativas pelo excesso de chuvas, danificando a qualidade dos grãos e afetando a produtividade, fazendo com que muitos agricultores recorressem ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), requerendo indenização das perdas.

Fonte: Jornal do Comércio | /VANESSA ALMEIDA/DIVULGAÇÃO/JC