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Produtores recuperam a safra, mas não os custos

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Tendência é de que agricultores de alta escala resistam melhor, diz Dornelles

Tendência é de que agricultores de alta escala resistam melhor, diz Dornelles

Um dos grãos mais consumidos no País, o arroz será abundante no mercado este ano. A exemplo do que também ocorre em outras culturas, como milho e trigo, esta será uma safra de recuperação para os arrozeiros – que poderão chegar a um total de 8,2 mil a 8,4 mil toneladas colhidas, depois dos 7,5 milhões de 2016. Ainda assim, os plantadores de arroz lamentam a queda abrupta dos preços, e contemplam a possibilidade de um ano de perdas financeiras.

"Vínhamos de uma safra baixa, e eram baixos os estoques. O preço tinha ficado em R$ 50,00 por saca de 50 kg. Com isso, veio a expectativa de uma boa comercialização, o que não está acontecendo. Agora, está entre R$ 38,00 e R$ 40,00, o que não paga o custo de produção", descreve o presidente da Comissão do Arroz da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Francisco Schardong.

Existe a expectativa de uma reação dos preços no segundo semestre, quando a colheita já estiver concluída no Estado – que responde por cerca de 70% da produção nacional. Mas nem todos os arrozeiros poderão esperar. "O produtor, para ter êxito, tem de estar capitalizado, para escolher quando vai comercializar. A tendência é os produtores de alta escala resistirem melhor", analisa o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Osorio Dornelles.

O contexto poderá agravar o quadro de endividamento dos agricultores. Pelos cálculos da Federarroz, apenas 30% dos 18 mil gaúchos têm acesso ao crédito rural oficial.

"São os que estão bem capitalizados. O banco dá crédito a quem cumpre suas obrigações", explica Dornelles. Outros 40% a 50% dos produtores representam uma "classe média", que não chega a comprometer toda a colheita imediatamente com a indústria. Os 20% a 30% restantes estão "muito comprometidos, na mão das indústrias, pagando juros de mercado", complementa o dirigente.

A alternativa de buscar o mercado externo esbarra na cotação do dólar e também na concorrência com países vizinhos. "As importações do Mercosul, que são inevitáveis, também concorrem e disputam mercado com o arroz gaúcho, em nível interno e externo. O Paraguai cresceu muito nos últimos anos", diz Schardong.

Rotação com a soja ganha terreno

Em um cenário austero, uma das principais soluções encontradas pelos arrozeiros para contornar as dificuldades é adotar a rotação com a soja. São cada vez mais comuns os agricultores que alternam as duas culturas, como o arrozeiro Fernando Rechsteiner, de Pelotas.

A solução vem sendo positiva para as duas culturas. "É um casamento muito bom agronomicamente, pela melhoria do solo. E economicamente também, porque geralmente conseguimos vender (soja) no primeiro semestre. Aí, melhora a eficiência comercial da propriedade, porque podemos vender o arroz no segundo semestre por melhor preço", diz.

Há dois anos, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) criou o Programa Soja 6000, para estimular a rotação de cultura, que parece ser um caminho sem volta.

Fonte: Jornal do Comércio | 
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