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Produtores gaúchos temem cobrança mais alta de direitos

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TRANSGÊNICOS CONTÁGIO NO BOLSO

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) de reconhecer o direito da Monsanto de cobrar royalties sobre a soja transgênica no momento da entrega da safra semeou novo receio entre agricultores. Como expirou a taxa sobre a primeira geração geneticamente modificada, agora a multinacional começa a vender uma nova tecnologia. A preocupação é que, em propriedades com as duas variedades, os grãos da mais recente contaminem o restante da colheita.
Com isso, produtores poderiam ser obrigados a pagar um valor equivalente a 7,5% sobre o valor do volume entregue da tecnologia antiga, porque os testes detectariam traços da nova soja, a Intacta RR2. A possibilidade significaria um golpe no bolso dos agricultores, que para a próxima safra enfrentam um cenário de preços dos grãos menores e custos maiores.
– É uma grande incógnita. Se o TJ decidisse que o pagamento na entrega não era legal, isso valeria para a RR2 – diz Paulo de Tarso Silva, presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, que com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e outras associações, briga na Justiça com a Monsanto.
O agrônomo Nédio Giordani, da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) do Estado, explica que a contaminação pode ocorrer pelas máquinas que circulam nas duas áreas ou no armazenamento.
– O risco é procedente – afirma Giordani, lembrando que uma das regras para o plantar a Intacta é reservar pelo menos 20% da área para outra variedade de soja.
Mesmo que a orientação seja segregar, a gerente de negócios de soja da Monsanto, Maria Luiza Nachreiner, tenta acalmar os produtores. Segundo a executiva, há testes de alta tolerância que não detectariam uma contaminação baixa causada por maquinário. No caso dos silos, a saída seria entrar em contato com a empresa pelos canais disponibilizados aos clientes. Assim, um técnico da Monsanto atestaria a situação.
– Não haveria o risco de ele ter de pagar pela tecnologia – sustenta Maria Luiza.
caio.cigana@zerohora.com.br

CAIO CIGANA

COMO É A COBRANÇA DA NOVA VARIEDADE

1 R$ 115 por hectare, antecipados, para quem compra a semente certificada.

2 R$ 127 por hectare, antecipados, pela semente separada de um ano para outro para replantio, mas informada à Monsanto.

3 7,5% sobre o valor da soja entregue para quem não comprou semente certificada nem informou ter separado grão para replantio.

COMO A SEMENTE SE ALASTRA

-No ano passado, foram plantados 1,2 milhão de hectares no Brasil.

-Neste ano, serão 4,8 milhões de hectares na América do Sul, sendo pelo menos metade no país.

A BATALHA JUDICIAL

-Produtores questionam o pagamento de royalties para Monsanto no momento de entrega da produção. Na quarta, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) decidiu que a cobrança é válida. Os agricultores prometem recorrer.

Fonte: Zero Hora