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Produtores de suínos reclamam do preço do milho

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Fonte: AGÊNCIA CÂMARA

Outras causas apontadas para a crise no setor foram o bloqueio da Rússia à carne brasileira e o baixo consumo interno.

Losivanio Luiz de Lorenzi (presidente da Associação Catarinense de Suínos), Francisco Sergio Jardim (secretário da Secretaria de Defesa Agropecuária), dep. Lira Maia (DEM-PA), Tomé Luiz Freire Guth (presidente da CONTAG), Francisco Sergio Turra (presidente da União Brasileira de Avicultura)

Produtores dizem que é preciso estimular o consumo de carne de porco no Brasil.

A maioria dos participantes de audiência pública sobre a crise do setor suíno promovida nesta quarta-feira pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural afirmou que um dos problemas mais urgentes é o alto preço do milho – uma das principais fontes de alimentação dos animais. Foi sugerida a adoção de subsídios governamentais para baixar o preço. Também foram citados os altos preços da carne de porco praticados pelo varejo e o baixo consumo do produto pelos brasileiros.

O representante da Companhia Nacional do Abastecimento (CONAB) na audiência, Tomé Guth, confirmou que os preços do milho estão bem acima dos níveis históricos e disse que, nos últimos dez anos, o setor de suínos teve custos de produção maiores que os de comercialização em pelo menos oito anos. Ele disse ainda que o custo de transporte para levar o milho de Mato Grosso para o Sudeste é de R$ 11,00 por saca.

Russos

A situação dos produtores foi agravada pelo embargo da Rússia à carne brasileira, por razões sanitárias. Os produtores afirmam que a questão é política e envolve um maior apoio do Brasil à entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Paulo de Mesquita, afirma que, de qualquer forma, é necessário eliminar os problemas sanitários.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Francisco Sérgio Jardim, explicou que já na próxima segunda-feira haverá uma reunião com os russos sobre os problemas técnicos. Segundo ele, de maneira geral, os brasileiros cumprem as exigências russas, mas os procedimentos são diferentes em alguns casos e é necessário melhorar a análise laboratorial das carnes.

Consumo interno

Quase 84% da produção de suínos no Brasil, porém, é vendida internamente. Portanto, segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, Marcelo Lopes, é preciso solucionar problemas, como o baixo consumo interno.

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, disse que o consumo de carne suína per capita é de apenas 14 quilos por pessoa no ano, sendo que quase 12 quilos é de embutidos. Ele disse que é preciso fazer campanhas para aumentar o consumo in natura.

"As pessoas precisam entender que o suíno produzido hoje é que vem de uma produção tecnificada, de alta tecnologia, com a carne limpa. Muitas pessoas acham que é aquele porco-banha, criado com lavagem, isso não existe mais. Nós estamos produzindo hoje uma carne com alta qualidade e com alto índice de proteína", disse.

Preço nos supermercados

Para o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), é preciso que os supermercadistas expliquem por que os produtores recebem cerca de R$ 2,00 pelo quilo de carne suína, enquanto alguns cortes nas gôndolas chegam a R$ 30,00 o quilo.

"Se o produtor não está ganhando, a indústria não está ganhando, quem está ganhando é o governo e os supermercados. Nós precisamos trazer os supermercados para a conversa, para que eles limitem seus lucros dentro daquilo que foi diminuído do preço de compra. Não está correspondendo o preço pago ao produtor com aquele vendido ao consumidor", afirmou o deputado.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) criticou o fato de o BNDES financiar a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour e não olhar de perto a crise do setor de suínos. Alguns convidados também defenderam a compra de carne suína por instituições públicas como o Exército.

O deputado Assis do Couto (PT-PR) defendeu a aprovação do PL 8023/10, que estabelece as regras gerais para o sistema de integração vertical entre produtor e agroindústria. Segundo ele, as empresas "integradoras" concentraram o mercado, criando uma série de problemas para o pequeno produtor.