Produtores de leite querem investimento em sanidade

Escassez de mão de obra foi outro tema comum na Expoleite Fenasul

Luiz Eduardo Kochhann

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Slongo espera que a produtividade dos animais aumente no inverno

Slongo espera que a produtividade dos animais aumente no inverno

A chuva afastou os visitantes do primeiro dia da 38ª edição da Expoleite, que acontece concomitantemente com a 11ª Feira Nacional de Agronegócio do Sul (Fenasul), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Mesmo assim, os produtores aproveitam o evento para discutir, entre outras questões, o avanço na sanidade animal e a escassez de mão de obra no campo. Nesse sentido, na quinta-feira, os produtores poderão conferir palestras sobre o Programa Nacional de Controle de Tuberculose e Brucelose e a respeito da implantação do Programa Alimentos Seguros (PAS) do leite.
De acordo com o superintendente técnico da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Lucas Eduardo Tomasi, o controle da sanidade deve ser a prioridade do setor. "Doenças como brucelose e tuberculose causam muitos abortos e descarte de animais, aumentando os custos do produtor", lamenta. Na visão de Tomasi, no que se refere às doenças infectocontagiosas, o ideal seria que as propriedades fossem testadas ao menos uma vez por ano. "Para abrir novos mercados, principalmente internacionais, é preciso investir primeiro em sanidade, o que afeta na qualidade do leite e no volume de produção", destaca. Além da sanidade, outra preocupação da cadeia leiteira gaúcha presente na Fenasul é a escassez de mão de obra no campo. A maioria dos 134 mil produtores gaúchos trabalha em um sistema de caráter familiar e, quando necessário, não encontra profissionais qualificados ou dispostos a seguir o trabalho de rotina diária exigido pela ordenha. "Com a mão de obra mais cara e pouco qualificada, a tecnologia também está começando a entrar nas propriedades do Rio Grande do Sul com o sistema de ordenha robotizada", completa Tomasi.
Pela falta de profissionais, a feira inicia a sua 38ª edição com menos animais inscritos. A principal ausência é a raça Jersey, que deveria ter ao menos 50 animais, mas não contará com nenhum pelo segundo ano consecutivo. "O grande gargalo ainda é a mão de obra. Para trazer o animal, é preciso suprir a mão de obra em casa", explica o presidente da Gadolando, Marcos Tang. No domingo, entretanto, deve aumentar a circulação de bovinos no Parque de Exposições Assim Brasil, com o leilão de 90 unidades da raça Holandesa. A expectativa dos organizadores é de que as vendas ultrapassem os R$ 800 mil.
O produtor Jean Carlos Slongo, da Cabanha VB, de Eldorado do Sul, possui 245 animais em ordenha, com produção média em 23 litros por dia. Trouxe 15 exemplares para a feira, entre eles, um premiado na edição do ano passado. Segundo Slongo, o verão de clima seco atrasou o desenvolvimento das pastagens, mas a tendência é de que a produtividade cresça entre três e quatro litros por animal com a chegada do inverno. "Dessa maneira, os R$ 1,04 que recebemos cobre o custo de produção e sobra um pouco, mas, para o pequeno produtor, está mais difícil", ressalta.
É o caso da produtora Maria Celoi Araújo Aires, da Cabanha Nika, de Glorinha. A comercialização tem deixado a desejar, segundo Maria. "O cenário está fraco por causa desses boicotes no leite. O preço está baixo e a alimentação dos animais subiu muito", reclama. Atualmente, a produtora recebe R$ 0,93 por litro, mas diz que precisaria, no mínimo, R$ 1,00 para cobrir os custos. "Também não tem mais gente para trabalhar, tem que ser a família para manter a propriedade", completa, falando dos entraves à atividade.

Fonte: Jornal do Comércio