Produtores da fronteira oeste do RS trocam cultura do arroz pela produção de cítricos

Fonte:  Ruralbr

Apesar da citricultura ser um investimento com resultados a longo prazo, quem apostou já está colhendo bons frutos e se mostra satisfeito

Marina Lopes

Em terra conhecida pela produção e beneficiamento de arroz, uma nova alternativa de cultura surge com otimismo. Itaqui, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, promete ser tão promissora para a produção de cítricos como as já reconhecidas cidades gaúchas de Santa Margarida e Rosário do Sul. A produção esperada para uma planta em sete anos já está sendo obtida com apenas três anos de plantio. E mais, as terras de Itaqui têm potencial para produzir frutos de mesa doces e sem sementes.

Embora a citricultura seja um investimento com resultados a longo prazo, quem apostou já está colhendo bons frutos e se mostra satisfeito. Com 21 hectares e mais de 1,5 mil pés plantados de diferentes tipos de laranjeiras, o produtor Jeferson Alves, da Fazenda Santa Mathilde, foi o pioneiro da cultura no município.

Com a instabilidade na produção de arroz, a família tradicional no plantio do grão queria um novo caminho. E achou. A produção de cítricos está indo para o quarto ano. A intenção é produzir em escala comercial. Este ano, os primeiros frutos foram comercializados como forma de testar o mercado.

– Para se ter uma ideia, o normal na área que tenho plantada (21 hectares) é que no sétimo ano se tire de 22 a 25 toneladas ao todo. Ano que vem, devo colher 45 toneladas. Como a aceitação no mercado local foi muito boa, até já estou preparando uma nova área, com mais 10 hectares de plantação. O resultado financeiro demora, mas vem, porque é um tipo de fruta que vale mais – afirma Alves.

A valorização chegou a 100%, calcula o produtor. Enquanto vendeu o quilo da fruta no atacado por quase R$ 2, as mesmas variedades vindas de outros lugares ficaram em R$ 1.

Itaqui está localizada no paralelo 30, uma região geográfica que oferece todas as condições climáticas e de solo que a cultura necessita, explica Jocélia Vargas, engenheira agrônoma que presta assessoria técnica ao projeto implantado na Santa Mathilde. As diferenças entre as temperaturas diurnas e noturnas, complementa, serão decisivas na determinação da qualidade das frutas.

– Itaqui tem condições climáticas que proporcionam a produção de frutas com qualidade para conquistar os mercados mais exigentes. A laranja produzida aqui pode tranquilamente ser exportada – acrescenta Jocélia.

Este é o principal foco de Alves com sua produção – o mercado externo, em especial a Holanda.

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