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Produtores adiam aquisição de insumos

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Com dólar alto, agricultores empurram as compras o quanto podem, diz Eduardo Daher, da Andef

A escalada do dólar faz com que produtores protelem ainda mais a aquisição de insumos para a safra 2015/16, diz o diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher. "Uma das consequências é que atrasa ainda mais a venda e leva à redução dos pedidos na ponta final, nas revendas e cooperativas", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Segundo ele, o produtor costuma receber insumos a partir de 15 de setembro. "No nosso caso (defensivos), eu sou o último da fila. Então as vendas devem acabar se concentrando entre outubro a janeiro", afirmou.

De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), as vendas de produtos caíram 25% entre janeiro e junho, na comparação com igual período de 2014. Daher diz que produtores do Centro-Oeste, em especial de Goiás, Mato Grosso, e do Matopiba (região que compreende os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) têm um endividamento maior e adiam as compras de defensivos, aguardando que o dólar recue para que os preços em real acompanhem uma eventual redução. Para o executivo da Andef, ainda é cedo para prever o impacto de longo prazo das sucessivas altas do dólar.

As entidades do setor reveem perspectivas trimestralmente. Apesar de trabalhar com as estimativas feitas até então, de faturamento em real, em 2015, semelhante ao de 2014, ele não descarta uma ligeira queda de 2%. Os volumes entregues também podem acompanhar essa queda, em parte porque novos produtos têm volume menor que suas versões anteriores. "Mas é muito cedo para afirmar. Eventos climáticos podem vir a trabalhar pelo lado contrário. Se houver um novo surto de (lagarta) Helicoverpa, o produtor vai cuidar da lavoura dele", disse.

Daher comentou que muitas distribuidoras e misturadoras de insumos que adquiriram produtos em dólar no ano passado e precisam quitar débitos agora, na cotação atual, estão em situação delicada. "Vi ontem (durante o 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, realizado em São Paulo) gente que não tinha conseguido dormir por causa da preocupação com as dívidas que estão vencendo em dólar", contou.

Do lado do produtor, outros dois fatores contribuem para o adiamento da decisão de compra: o clima favorável e sem chuvas, que não demanda a aquisição imediata de defensivos, e a morosidade na liberação do crédito oficial.

Outra consequência dos adiamentos sucessivos da compra de defensivos deve ser a ocorrência de um nó logístico a partir de setembro, quando os produtores precisarão comprar insumos para fazer o plantio. "O frete vai subir, veremos novamente filas de quatro dias de caminhões aguardando no porto de Santos. Por outro lado, haverá vazios de entrega de produtos em algumas regiões, por questões logísticas também", explicou Daher.

A possibilidade de fabricantes de defensivos, em especial os com maiores estoques de produtos, reduzirem margens para tentar reverter a fraca demanda dos produtores é descartada de momento pelo executivo. "Não tenho plena convicção de que vão fazer isso nos próximos meses. As empresas não vão querer assumir risco de venderem para clientes em situação econômica delicada."

 ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte: DBO