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Produtor vê a nova safra com grande otimismo

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Fonte: Autor: Lauro Veiga Filho. Fonte: Valor Economico

Eles partiram do Rio Grande do Sul, do Paraná e do interior de São Paulo na segunda metade dos anos 1980 em busca de oportunidades em áreas que apenas começavam a ser exploradas pela agricultura tradicional. "Não tinha nada por aqui. Nem estradas, nem energia, nem telefone, nem escolas, nem tecnologia", relembra Sérgio Stefanello, que deixou há 25 anos o planalto médio gaúcho, na região de Cruz Alta, para se instalar no sul de Mato Grosso, onde seria oficialmente criado, dois anos depois, o município de Campo Novo de Parecis.

Vários "gaúchos", como são chamados todos os que chegaram por lá nessa mesma época, vindos do Sul-Sudeste, não conseguiram lidar com os desafios de uma região quase inóspita e considerada, até então, imprópria para a agricultura. "Muitos quebraram", reforça Stefanello, que atualmente explora 15,5 mil hectares distribuídos entre cultivos de soja, algodão, girassol e milho para pipoca.

Aqueles que conseguiram atravessar todas as crises do setor sem perdas tão dramáticas, como o próprio Stefanello, a produtora Liane Altmann, de Nova Mutum, José Guarino Fernandes, com propriedades em Sapezal e Campos de Júlio, e Walter Yukio Horita, da região de Barreiras, no oeste baiano, têm agora oportunidade de comemorar uma estação que teve fatores quase improváveis. "Tem sido um ano muito positivo, com clima favorável, produtividade elevada e preços bons, o que não é muito comum de acontecer. Nestes 27 anos que estou na Bahia, 2011 foi o melhor ano até aqui", descreve Horita, que também preside a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Nascido e criado em Floresta, próximo a Maringá, no Paraná, Horita trocou a ciência exata, depois de formar-se em engenharia de produção pela Universidade de São Paulo, em São Carlos, no interior paulista, pela atividade agrícola. Escolheu o oeste da Bahia para fincar seu negócio, que acabou se transformando num pequeno conglomerado agrícola. No total, são 43 mil hectares, divididos entre cinco propriedades. Na safra 2010/2011, Horita plantou 25 mil hectares de algodão, carro chefe da Horita Empreendimentos agrícolas, empresa controlada pela família, 13 mil hectares de soja e 5 mil hectares de plantação de milho.

No início da segunda quinzena de junho, Horita estava iniciando a colheita do algodão, com expectativa de obter entre 270 (perto de 4 mil quilos) e 275 arrobas (4.125 quilos) por hectare, trabalho que deverá ser concluído por volta de julho ou início de agosto. Os avanços alcançados pela pesquisa e os ganhos tecnológicos daí decorrentes permitiram elevar a produtividade da soja e do milho em 39% e 74% em cinco ou seis safras, de acordo com Horita.

"O oeste da Bahia já é o primeiro em produtividade no país", comemora Walter Horita. O empresário colheu, neste ano, 3.660 quilos de soja por hectare e nada menos do que 11.640 quilos de milho, batendo o rendimento médio das lavouras americanas. "Como não temos safrinha na região, já que nossa janela de clima para plantio e colheita é muito menor do que nas demais áreas de produção do país, o produtor aqui investe mais fortemente em tecnologia na safra de verão, buscando produtividade mais elevadas", afirma Horita.

Os resultados da safra contribuíram para turbinar os investimentos e dar suporte a uma previsão de expansão entre 10% e 20% da área de plantio prevista para o ciclo 2011/2012, afirma Walter Horita. "Estamos estudando essa ampliação, que deverá ser distribuída entre as plantações de milho, soja e algodão, sem prejudicar a rotação de culturas". O parque de máquinas da Horita Empreendimentos, atualmente formado por 140 tratores, 25 colhedoras de cana, 15 colheitadeiras de soja, 25 pulverizadores e três aviões agrícolas, foi reforçado com a aquisição de mais um lote de 20 tratores. Como o período de colheita é muito apertado, resumido a 25 ou 30 dias entre o final de março e as primeiras semanas de abril a cada safra, detalha o empresário rural, algumas vezes não compensa imobilizar capital em equipamentos mais caros. Sai mais em conta fazer a terceirização da colheita, contratando máquinas de outras regiões, em geral do Paraná, onde essa atividade é concluída mais cedo.