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Produtor reclama de preços em leilões de milho da Conab

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Regis Filho/Valor
Geller, ministro da Agricultura: milho terá quantos leilões forem necessários

Além de o governo ter reduzido de R$ 500 milhões para R$ 300 milhões o montante disponível para subsidiar o escoamento de parte da produção brasileira de milho, cujos preços de mercado estão baixos, agricultores reclamam que, em alguns leilões de Pepro realizados o prêmio ofertado pela Conab não foi suficiente para garantir os preços mínimos do grão – estabelecidos pelo próprio governo – em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

Nos três leilões realizados em Mato Grosso do Sul desde o fim de agosto, que tinham por objetivo subsidiar as vendas de 210 mil toneladas no total (70 mil por leilão), apenas 30 mil toneladas foram efetivamente negociadas. Lucas Galvan, coordenador da área técnica da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), observa que isso aconteceu porque o governo pagou um prêmio de R$ 1,80 pela saca de 60 quilos de milho, valor que, somado ao praticado no mercado, não foi suficiente para que fosse atingido o preço de referência determinado para o Estado (R$ 17,67).

"O prêmio ideal para Mato Grosso do Sul seria de R$ 2,17. Já pedimos mais dois leilões ao Ministério da Agricultura", diz Galvan. Ele afirma que atualmente o preço do grão colhido na segunda safra (safrinha) no Estado está em cerca de R$ 15,50, o que faz com que os estoques em polos produtores locais, como Maracaju, Dourados e Chapadão do Sul, estejam altos.

"Se até janeiro não escoarmos esse milho que está estocado, com certeza teremos problema de armazenagem", afirma. Na última safra, foram produzidas 8,3 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul, um novo recorde.

É comum haver diferenças de preços nos leilões da Conab. Mas, desta vez, a autarquia alega que a expectativa dos produtores de que o preço do milho vai aumentar por causa do apoio do governo tem elevado a cotação do produto nos dias que antecedem o leilão, o que faz o governo pagar menos e, consequentemente, prejudica os arremates feitos por empresas, cooperativas e produtores.

A mesma situação já aconteceu nos quatro primeiros leilões de Pepro de milho na região de Querência, no nordeste de Mato Grosso, e também na Bahia. Nesses casos, porém, a Conab ajustou os prêmios para valores mais altos que os pagos nos primeiros leilões e o valor mínimo de referência foi alcançado.

"No primeiro leilão em Mato Grosso, o governo pagou um prêmio de apenas R$ 0,27 por saca e tivemos apenas 4% de comercialização. Mas o problema foi resolvido e no segundo leilão esse valor subiu para R$ 2. Com isso, toda a quantidade de milho ofertada foi comercializada", afirma Adolfo Pepry, diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja-MT).

O preço mínimo definido pelo governo para o milho mato-grossense é de R$ 13,56. Em evento na quarta-feira em Dourados (MS), o ministro da Agricultura, Neri Geller, prometeu quantos leilões forem necessários para ajustar o preço do milho. "Temos também, se precisar, mais R$ 50 milhões que podem ser usados em AGF [Aquisição do Governo Federal] para Mato Grosso do Sul", disse o ministro.

Ontem em São Paulo, Geller reforçou que a verba de R$ 300 milhões reservada para subsidiar o escoamento vai contemplar toda a produção de milho que está abaixo do preço mínimo. "No ano passado, tínhamos uma portaria de R$ 700 milhões para o milho, usamos só R$ 370 milhões. Se for necessário, nós vamos realocar", afirmou. De acordo com ele, há previsão de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões para a realização de Pepro para o cereal, com base em dados técnicos. (Colaborou Carine Ferreira, de São Paulo)

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Fonte: Valor | Por Cristiano Zaia | De Brasília