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Produtor distribui laranja em protesto

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Para chamar a atenção para a crise do setor, manifestantes também jogaram suco fora durante ato em Taquaritinga

Segundo representante das fábricas, há encalhe de 73 milhões de caixas de laranja; outras 10 milhões já estragaram

Naira Suelenn/Divulgação Frutas foram oferecidas a moradores de Taquaritinga na manifestação, realizada ontem

Produtores de laranja realizaram ontem um protesto para chamar a atenção para a crise que atinge o setor da citricultura. Os manifestantes distribuíram suco e fruta para a população, no centro de Taquaritinga, uma das principais cidades produtoras do país.

Previsão da CitrusBR (que reúne os principais fabricantes de suco do país) aponta uma sobra de 83 milhões de caixas (de 40,8 kg) neste ano. Desse total, 10 milhões já estragaram nos pomares.

"Se nenhuma medida for tomada, os outros 73 milhões [de caixas excedentes] vão estragar nos pés", diz Frauzo Ruiz Sanches, presidente do Sindicato Rural de Ibitinga e Tabatinga, que promoveu a manifestação.

Ele diz que o objetivo é sensibilizar os governos para amenizar a crise, reflexo da sobra de boas safras, queda no consumo, crise econômica mundial e alta dos estoques.

"Os governos precisam permitir a renegociação de dívidas dos produtores. Também poderiam comprar fruta para distribuir em programas sociais ou na merenda escolar." Segundo ele, foram distribuídos ontem quatro caminhões de laranja.

REUNIÃO EM BRASÍLIA

O Ministério da Agricultura afirma que uma reunião deve ser realizada, em Brasília, no Conselho Monetário Nacional, para debater proposta que prevê a fixação de um preço mínimo para a caixa de laranja, com base na média do custo variável de produção, pesquisado pela CONAB nas diferentes regiões produtoras do país.

Esse custo está hoje em cerca de R$ 9 por caixa, de acordo com os produtores.

A solução proposta pelos técnicos do governo federal é o estabelecimento de um PEP (Prêmio para Escoamento de Produto).

Trata-se de uma subvenção econômica concedida pelo governo por meio de leilão público, que seria utilizada pelo arrematante para compra de produtos pelo valor de referência (preço mínimo) garantido pela União.

O tema não entrou na pauta da reunião do conselho realizada ontem, mas deve ser convocada uma extraordinária na próxima semana para deliberar sobre o assunto.

A Secretaria de Estado da Agricultura informou que "não é razoável pedir que o governo compre a produção excedente, estimada em 80 milhões de caixas de laranja, quando o consumo do país é de 35 milhões de caixas".

Acrescentou que o governo estadual tem participado de reuniões constantes com os representantes da cadeia da citricultura para estudar estratégias para minimizar os impactos da crise.

Fonte: FOLHA DE S. PAULO – SP Editoria: RIBEIRÃO Jornalista(s): JOÃO ALBERTO PEDRINI