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Produtor de café eleva investimentos

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Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/ValorEloi Fernandes, da Husqvarna: meta de manter crescimento na área de café

A perspectiva de boa rentabilidade para o setor de café, apesar de os preços terem recuado dos níveis recordes do ano passado, e a necessidade de os produtores aumentarem os investimentos em mecanização diante da escassez de mão de obra, trazem novas oportunidades para empresas de máquinas que não atuam nesta frente e fazem aumentar as apostas de expansão das que atuam neste mercado.

Um dos termômetros da demanda é o crescimento das compras de máquinas em feiras promovidas por grandes cooperativas. No mês passado, um evento promovido pela Cooparaiso, com sede em São Sebastião do Paraíso (MG), comercializou R$ 13,8 milhões em máquinas ante R$ 5,8 milhões na edição de 2011, mas a expectativa é que os números finais cheguem a R$ 16 milhões. Muitos dos equipamentos serão usados para a colheita da safra 2013/14.

Francisco Ourique, superintendente comercial da área de café da cooperativa, disse que a redução de juros em programas governamentais também colaborou para o crescimento superior a 100% na aquisição de máquinas este ano.

A New Holland, marca do grupo CNH, pretende lançar no mercado brasileiro, no segundo semestre de 2013, uma colhedora de café mais sofisticada que as encontradas no país, geralmente fabricadas por empresas nacionais, muitas de pequeno porte. Segundo João Rebequi, gerente de marketing de produto para a América Latina da New Holland, a empresa está de olho no crescimento do cultivo do café adensado, que garante maior produtividade, e que ainda não dispõe de máquinas adequadas para a colheita. De acordo com Rebequi, o novo produto faz, além da colheita, poda, pulverização, e é capaz de armazenar o produto retirado da planta.

A máquina, fabricada na França, foi inicialmente preparada para uva e azeitona, mas sofreu adaptações para o café. Já foram feitos testes nas lavouras brasileiras neste ano e os primeiros resultados foram considerados satisfatórios. Ainda precisam ser feitos alguns ajustes e novos testes na primeira metade de 2013.

A Case IH, também do grupo CNH, viu a procura por colhedoras de café aumentar este ano. De janeiro a agosto, por exemplo, a comercialização aumentou 60% contra o mesmo intervalo de 2011, sem informar o volume comercializado.

Everton Fim, especialista de marketing de colhedoras de café da Case IH, afirma que o uso de colhedoras pode gerar uma economia de cerca de R$ 250 por hectare, além de proporcionar uma colheita mais seletiva. A empresa ainda espera ofertar novas máquinas para a colheita.

Companhias que não atuam com colhedoras de maior porte também colocam suas fichas na expansão do mercado. É o caso da sueca Husqvarna, fabricante de equipamentos para áreas verdes e florestas, que começou a atuar na cultura em junho de 2010. As vendas de produtos como derriçadeiras para a colheita, sopradores, pulverizadores e roçadeiras quintuplicaram em 2011.

A meta é atingir a liderança neste segmento em 2015. "Nosso objetivo é continuar crescendo fortemente", diz Eloi Fernandes, vice-presidente da América Latina da Husqvarna. A matriz tem interesse em ampliar o desenvolvimento de produtos para o café na Colômbia e Peru, a partir da demanda que surgiu no Brasil.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo