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Produtor de arroz restringe oferta para manter patamar de preço alto

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Segundo presidente de federação gaúcha, "janela" de plantio termina hoje e cerca de 30% desta safra não foram plantadas; sacas do grão já estão sendo negociadas 60% acima do valor mínimo

Nayara Figueiredo

Para o ano que vem, oferta de arroz deve ser menor com necessidade do uso de estoques de passagem

Para o ano que vem, oferta de arroz deve ser menor com necessidade do uso de estoques de passagem
Foto: Divulgação

São Paulo – Em meio à entressafra do arroz, produtores rurais têm negociado o grão de forma mais restrita pela manutenção dos preços em patamares altos, visto que a produção já é comercializada R$ 14,23 acima do valor mínimo. Em contrapartida, a oferta tem sido suprida por estoques gaúchos do governo federal.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que das 12,1 milhões de toneladas de arroz produzidas na safra 2013/2014, 8,11 milhões de toneladas foram oriundas do Rio Grande do Sul, maior estado produtor da cultura.

"Ele [o produtor] está postergando essa venda acreditando que para frente deve haver um valor maior para negociação. É possível que alguns esperem até janeiro para entrar com força no mercado. Até agora estão sendo ofertados poucos lotes", avalia a analista do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Maria Aparecida Braghetta.

De acordo com o indicador de preços do instituto, a saca de 50 quilos do grão posto na indústria gaúcha fechou a última semana a R$ 36,91. Segundo a Conab, o preço mínimo da saca de 60 quilos de arroz em casca para o mesmo estado está em R$ 22,68, uma diferença de mais de 60% entre os valores.

Para o setor

Através da Conab, o governo federal tem feito leilões para comercialização de seus estoques, em geral, vindos da região Sul. O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Pereira, explica que os produtores diminuíram o nível de oferta justamente por conta destas ações de venda do governo, para que o preço não perca sustentação no mercado.

"Os agricultores estão esperando passar esse momento de ofertas. Acredito que em meados de dezembro o governo vai parar de vender e vamos começar a nova safra com o estoque zerado. Está acontecendo um equilíbrio, porque tem pouco arroz no poder público e oferta suficiente no setor", afirma Pereira.

Ao partir deste pressuposto, o executivo tem expectativas positivas para o segmento no decorrer da safra.

"O consumo do País está na média de 12,5 milhões de toneladas, algo muito próximo do que produzimos. Podemos até dizer que somos autossuficientes porque importamos quase um milhão de toneladas do Mercosul, mas exportamos outras 1,3 milhão de toneladas", ressalta o presidente.

Plantio

Por conta do alto índice pluviométrico do maior estado produtor entre os meses de setembro e outubro, rizicultores perderam a melhor época para plantio da safra 2014/2015. Agora o clima se estabilizou mas cerca de 30% da produção ainda não foram semeadas, fato que deve acarretar queda de produtividade e uma oferta mais justa para o próximo ano.

A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Osorio Dornelles. Segundo o executivo, a chamada "janela de plantio" do estado se encerra hoje (11).

Neste cenário, a analista do Cepea acrescenta que muitos produtores contam com essa possibilidade de perda de qualidade, com a redução da colheita por hectare. Este é um dos motivos que tem os levado ao mercado apenas para "fazer caixa", sem ofertar todo o estoque, para que não falte produto nem renda ao produtor no decorrer dos próximos meses.

"Além disso, o rizicultor está muito focado no plantio, que está atrasado e vai trazer consequências. Em alguns casos as questões comerciais ficaram para segundo plano, diante da preocupação em relação ao atraso da safra", diz Dornelles.

Prejuízos

Conforme publicado no DCI, o excesso de chuvas provocou até replantio em algumas regiões produtivas, gerando um aumento nos custos de produção que já vinham mais altos quando comparados ao desembolso de safras anteriores.

O presidente da Federarroz conta que em função de alta nos valores da energia elétrica, dólar e insumos agrícolas, o custo de produção teve um ganho de 10% para o preparo do período de 2014/2015.

"Com a incidência de umidade, houve a necessidade de mais aplicações de defensivos ou o próprio replantio de determinado hectare, que acarretou um acréscimo de 5% no custo, dependendo da lavoura", calcula o executivo. O excesso de umidade faz com que os herbicidas não funcionem adequadamente dependendo da região de plantio.

Tudo isso, considerando que os gastos mínimos ficam entre R$ 4 e R$ 4,5 mil por hectare.

Com relação ao nível de produtividade, Dornelles lembra que a expectativa do governo é de 7,5 toneladas por hectare, porém, só será possível manter o mesmo índice da última safra, na média de 7,1 toneladas.

"Tudo isso está confirmando. O que antes era possibilidade, hoje é realidade. Acreditamos que teremos um ano duro, em virtude de uma produtividade abaixo da média histórica e com custos muito altos. Porém, temos estoques de passagem e não vai faltar produto", enfatiza.

Fonte: DCI