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Produtividade e custos preocupam empresários do agronegócio

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Representantes da Syngenta, Du Pont, Bunge e JBS discutiram o tema em fórum realizado em São Paulo

por Alana Fraga

Ernesto de Souza

Brasil  vai representar cerca de 55% do crescimento das exportações mundiais de soja até 2022

A tecnologia para o aumento da produtividade agropecuáriafoi colocada em destaque dentre os desafios de produziralimentos para a população mundial nos próximos 20 anos. O tema foi foco das discussões do painel que trouxe os desafios de como alimentar quase dez bilhões de pessoas em 2030, durante o Global Agribusiness Forum, realizado nesta terça-feira (25/9) em São Paulo.
Segundo o presidente da Syngenta, Antônio Carlos Guimarães, o crescimento da produtividade agrícola vem diminuindo nos últimos anos. Até 1991, o índice de crescimento da produtividade era de 1,9% ao ano. Nos últimos 20 anos, até 2011, o número caiu para 1,3% ao ano. Considerando os últimos sete anos, o índice recua para 1,1% e começa a haver um desbalanceamento entre demanda e produção. "Nos últimos três anos, esse desbalanceamento é maior ainda. Isso explica o grande pico de preços de commodities agrícolas que estamos enfrentando hoje, passando pelo recorde de preços da soja e do milho nesse primeiro semestre. É preciso trabalhar para o aumento da produtividade agrícola porque esse desequilíbrio não suporta os altos preços de commodities", afirmou.
O cenário traçado por Guimarães é de um desequilíbrio nos próximos anos caso os índices mantenham a queda. "Temos uma previsão de crescimento da demanda por alimentos de 1,9¨% ao ano. Nesse ritmo que nós estamos hoje, há um desequilíbrio que, se não equacionado, pode sustentar preços de commodities ainda maiores do que enfrentamos hoje ou uma redução do consumo de alimentos, que significa uma redução do desenvolvimento econômico do mundo", afirmou. 
Já o presidente do Conselho Consultivo da holding J&f, Henrique Meirelles, destacou o Brasil e os Estados Unidos como os grandes responsáveis pelo aumento das exportações globais de milho nos próximos anos, o primeiro com 16% e o segundo com 45% de crescimento nas vendas externas. Com relação à soja, o Brasil vai representar cerca de 55% do crescimento das exportações mundiais até 2022, e com 66% da elevação das vendas externas de frango.
Para Ricardo Vellutini, presidente da Du Pont no Brasil, é preciso mais agilidade para desenvolver e disponibilizar tecnologias de maneira que acompanhem o crescimento populacional. "Apesar de toda evolução que nós tivemos nesse país nos últimos 35 anos – na área agrícola especificamente crescemos a produtividade em mais de 250% utilizando menos de 40% de crescimento de área – a pergunta que se faz é onde nos colocamos no contexto mundial, sendo que o Brasil hoje produz 20% de todo o alimento global e que, segundo previsões, temos que dobrar isso nos próximos 20 anos?", questionou.
Em relação à produtividade de carne, o Brasil também ainda tem muito o que avançar, de acordo com o presidente doGrupo JBS, Wesley Batista. Ele destaca que, enquanto o rebanho bovino dos Estados Unidos é de 95 milhões de cabeças frente às 200 milhões de cabeças do rebanho brasileiro, a produção norte-americana de carne bovina é de 11,5 milhões de toneladas ao ano, enquanto o Brasil produz apenas 9,5 milhões de toneladas. O peso médio do frangodos Estados Unidos é quase o dobro da ave produzida no Brasil. "As taxas de produtividade que o Brasil tem estão aquém do que pode chegar", destacou Batista.
Na opinião do presidente da Bunge, Pedro Parente, o maior desafio está na distribuição dos alimentos. "Ainda temos quase um bilhão de pessoas passando fome, das quais 75% estão em áreas rurais. O problema maior ainda é a distribuição, e não de produção. No caso brasileiro, os prejuízos da Bunge por falta de logística podem chegar a mais de US$ 5 bilhões ao ano. Se a questão da logística é grave no Brasil, pior ainda em outros países", afirmou Parente.

Custos
Uma das preocupações, segundo os especialistas, é com o aumento dos custos de produção de novas tecnologias. Segundo Guimarães, a indústria de produção de cultivos e sementes já investe hoje cerca de 8% do seu faturamento em novas soluções para o aumento da produtividade agrícola, índice superior às indústrias de hardware e espacial.
Por outro lado, nos útlimos dez anos, os custos para o desenvolvimento de uma tecnologia para aumento da produtividade agrícola aumentou 40%. "De US$ 180 milhões para US$ 256 milhões e temos hoje 80 desses produtos em pipeline sendo desenvolvidos para lançar nos próximos anos a um custo médio de US$ 250 milhões cada um", ressaltou Guimarães.

Fonte: Globo Rural