Produção rural do Amazonas sofrerá prejuízo de R$ 33 milhões com as cheias dos rios

O volume representa as perdas produtivas do setor primário do Estado em função da enchente que já afeta 5,5 mil famílias

Manaus (AM), 05 de Maio de 2015

JULIANA GERALDO

    Com as águas do lago de Anamã invadindo tudo, o rebanho fica no curral e as famílias abandonam as moradias

    Até o final de abril, mais de 5,5 mil famílias distribuídas em 21 municípios já foram afetadas pela cheia (Bruno Kelly – 5/mai/2012)

    Há  pouco mais de um mês para o ápice da cheia, o Amazonas já contabiliza R$ 33,6 milhões em perdas produtivas dos setores de agricultura e pecuária em função do aumento do nível das águas. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).
    Até o final de abril, segundo o Levantamento de Perdas Agrícolas da Produção Rural da Cheia de 2015, elaborado pelo órgão, 5.565 famílias distribuídas em 21 municípios já foram afetadas. Conforme o levantamento, estão em situação de emergência, seis municípios na calha do Rio Juruá (Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati e Carauari) e mais quatro – Lábrea, Canutama, Pauini e Tapauá – na calha do Rio Purus.

    No Alto Solimões, estão em situação emergencial, Benjamim Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antonio do Içá, São Paulo de Olivença e Tonantins. O município de Boca do Acre está em estado calamidade pública e os municípios de Tefé, Anamã e Manacapuru, no Médio Solimões, já apresentaram as primeiras perdas.
    Até o momento, a produção de farinha de mandioca foi a mais atingida, com perdas de 4, 8 mil toneladas e prejuízos de R$ R$ 19,3 milhões. Em segundo lugar na lista de perdas está o cultivo da banana com R$ 8,1 milhões e, em terceiro, as hortaliças representaram 1,3 milhão em perdas produtivas.
    Na pecuária, foram registradas a perda de 654 cabeças de gado (R$ 457,8 mil), 2.427 suínos (R$ 485,4 mil) e 15.269 aves (R$ 152,2 mil). A criação e venda do pescado também foi comprometida pela perda de nove toneladas de peixe e R$ 27 mil.

    Prejuízos

    Segundo  o diretor-presidente  do Idam, Edimar Vizolli, as perdas são representativas, mas devem ficar bem abaixo dos prejuízos registrados no ano passado pelo setor rural, que foi de aproximadamente R$ 130 milhões.

    “Não devemos chegar à metade desse valor. Apesar do grande volume de  plantações perdidas nas calhas do Purus e Juruá, em 2014, enfrentamos sérios problemas com os municípios da calha do Madeira, situação que não ocorreu este ano”, justificou.

    Em todo caso, segundo o dirigente,  o Instituto em parceria com a Secretaria de Produção Rural e  Sustentabilidade (Sepror) e com a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), já está estudando formas para viabilizar a aquisição de sementes e mudas e a implementação de  crédito subsidiado.

    “Também vamos avaliar se a anistia das dívidas dos produtores relativas a financiamentos será necessária. Em no máximo 60 dias esperamos ter um plano bem desenhado” projetou.

    Municípios

    O município de Envira, na calha do Rio Juruá, foi a localidade que registrou o maior volume de prejuízos (R$ 15,2 milhões). Já os municípios de Tabatinga e Boa do Acre registraram o maior número de famílias afetadas pela cheia até o momento, 1.170  e 897,  respectivamente.

    BLOG: Muni Lourenço, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do AM

    “O volume  de perdas,  apesar de ser bem inferior ao mesmo período dos anos anteriores, ainda é alarmante. Ele representa mais um ano seguido de prejuízos aos produtores. Não há mais intervalos entre as grandes cheias no Estado e a situação é preocupante. Portanto, já encaminhamos proposições para a Assembleia Legislativa (Aleam), ao governo estadual e a parlamentares em Brasília no sentido de minimizar os impactos e obter anistias parciais e totais dos financiamentos tomados pelos produtores.Também propusemos a renegociação dessas dívidas em condições especiais e concessão de linhas de crédito para que eles possam retomar as atividades e viabilizá-los para que eles possam manter-se na atividade”.

    Fonte:  UOL
    Tércio Ribas Torres | 05/05/2015, 20h14 – ATUALIZADO EM 05/05/2015, 21h36