Produção recorde de milho derruba os preços e eleva o frete em MT

Terminou a colheita do milho safrinha em Mato Grosso.
A preocupação agora é com o escoamento da produção recorde.

Do Globo Rural

Nunca os agricultores de Mato Grosso colheram tanto milho. Foram mais de 21,9 milhões de toneladas na safra recorde, com quase 20% mais que o ano passado.

A produção histórica derrubou o preço do grão. Em algumas regiões, a saca está valendo menos de R$ 10. A grande oferta também expos a falta de infraestrutura e logística do estado. Os armazéns ficaram pequenos e falta espaço para estocar o milho.

A produtividade média do milho safrinha, em Mato Grosso, foi de 102 sacas por hectare.

Diante de uma safra tão grande, o que fazer com tantos grãos? Apenas 3 milhões de toneladas, ou seja, menos de 15% do total, devem ser consumidos em Mato Grosso, todo o restante, precisa ser retirado do estado.

A previsão do Imea, Instituto de Economia Agropecuária do Estado, é de que cerca de 800 mil toneladas sigam para o mercado interno brasileiro. As vendas com apoio do Governo Federal, por meio de leilões, devem garantir o envio de mais 8 milhões de toneladas para fora do estado. A exportação deve chegar a 5 milhões de toneladas e ainda sobrariam mais de 5 milhões de toneladas para serem negociadas.

“O desafio agora é comercializar isso aí, a gente sabe também que a armazenagem não é um benefício de todos os produtores, então, sem dúvida nenhuma, a comercialização virou o principal entrave”, explica Daniel Latorraca, economista do Imea.

Outra preocupação é com o custo para transportar os grãos. De Sorriso, no médio-norte do estado, para o Porto de Santos, em São Paulo, por exemplo, o frete chega a R$ 300 por tonelada, o que equivale a R$ 18.

Mauro Ciciliato plantou milho em Campo Verde e Nova Brasilândia, no sudeste do estado, e teve que gastar mais para levar a produção do campo para os armazéns.

A explicação das empresas transportadoras para o aumento do frete é a elevada demanda. Além do milho, também estão sendo escoadas as produções de algodão e parte da soja colhida no início do ano. Além disso, as condições das estradas também contribuem para a alta.

Fonte: G1