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Produção de máquinas dispara

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A recuperação do segmento de máquinas agrícolas continua a todo vapor, mas, para as montadoras, o mercado ainda está longe do ideal. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados ontem, as vendas no mercado doméstico permaneceram aquecidas em março e cresceram 41,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2016, para 9,8 mil unidades. Na última década, a média de janeiro a março foi de 12,3 mil unidades.

"A recuperação é importante, mas o setor ainda está bem distante do melhor momento", afirmou Antonio Megale, presidente da Anfavea. No primeiro trimestre de 2013, as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no país chegaram a 19,4 mil unidades. De lá para cá a comercialização recuou, chegando, ao menor nível desde 2006 no ano passado, quando foram comercializadas apenas 6,9 mil unidades de janeiro a março.

De acordo com os dados da Anfavea, em março foram vendidas 3,7 mil unidades, 28,6% mais que no mesmo mês de 2016. Na comparação, a produção aumentou 90% e alcançou 5,6 mil unidades.

Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, destacou que o expressivo avanço da produção, ainda que sobre uma base de comparação muito baixa, também refletiu as expectativas com a feira Agrishow, que será realizada no início de maio em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

O acesso a financiamentos é outro fator que tem ajudado o segmento. "O governo está dando uma atenção especial para que não faltem recursos", disse Megale em referência ao Moderfrota, linha de crédito do Plano Safra direcionada para a aquisição de tratores e colheitadeiras.

No Plano Safra 2016/17, o governo reservou inicialmente R$ 5 bilhões para a linha. Como, a demanda surpreendeu o Moderfrota "ganhou" mais R$ 4 bilhões de outras linhas que tinham demanda menor.

Mesmo com a proximidade do anúncio do próximo Plano Safra, os recursos para o Moderfrota em 2016/17 podem ser ampliados de novo. Segundo Ana Helena, na segunda quinzena deste mês haverá uma reunião com o Ministério da Agricultura e com o BNDES para avaliar quanto será necessário para que a escalada das vendas não sejam interrompidas até o fim de junho.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor