Produção de laranja avança no sul gaúcho

Tamires Kopp/ValorO empresário Sylvio Estrázulas, proprietário da Fazenda Santa Eulália e da Goranje, localizadas em Santa Margarida do Sul: referência na região, empresa vai começar a produzir sucos especiais

Uma atividade que começou há dez anos com o objetivo principal de ocupar a mão de obra que ficava ociosa depois da colheita das lavouras de verão transformou a Gorange em referência do emergente polo de produção de cítricos de mesa na metade sul do Rio Grande do Sul.

Atualmente, a empresa produz principalmente laranjas de umbigo sem sementes. Conta com cerca de 200 hectares de pomares implantados em diferentes estágios de desenvolvimento, e a atividade já responde por um terço do faturamento da Fazenda Santa Eulália, em Santa Margarida do Sul – que tem, no total, 6 mil hectares e também cultiva soja, arroz e milho, além de criar gado bovino.

Proprietário da fazenda, o empresário paulista do segmento da construção civil Sylvio Estrázulas, que é descendente de fazendeiros gaúchos, calcula que a colheita de 2014 poderá chegar a 2 mil toneladas de cítricos, o dobro do volume do ano passado.

Como 90% da produção corresponde a variedades nobres de laranjas como navelina e lane late, vendidas em média por R$ 2,50 o quilo para a rede de supermercados Zaffari e para lojas especializadas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o volume é suficiente para gerar uma receita entre R$ 4,5 milhões R$ 5 milhões.

"Uma caixa de laranja de mesa com 15 quilos é vendida [ao varejo] por R$ 38, enquanto uma caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à produção de suco produzida em São Paulo, sai por R$ 12 [para a indústria]", compara Rogério Estrázulas, filho de Sylvio, que administra a propriedade.

De acordo com ele, as árvores começam a produzir três anos depois de plantadas e, aos oito ou nove anos, atingem o pico de produtividade, com 40 toneladas de fruta por hectare. Já o custo de produção fica em torno de R$ 10 mil por hectare, em média.

Conforme Rogério, com o desenvolvimento e a expansão dos pomares, a safra da Gorange deverá alcançar entre 3,5 mil e 4 mil toneladas em 2015 e até 6 mil toneladas em 2016. Em seguida, quando os 200 hectares já implantados atingirem o auge, os cítricos serão o principal negócio da Santa Eulália e o potencial da cultura na propriedade chega a 1 mil hectares em áreas de coxilhas (elevadas).

O único problema, conforme Sylvio, é a disponibilidade de mão de obra, já que a colheita é feita manualmente e cada 100 hectares requer cerca de 50 trabalhadores.

Agora, com o programa de aumento da produção encaminhado, o próximo passo, conforme adiantou Rogério, será a entrada da empresa no segmento de sucos especiais para aproveitar as laranjas e tangerinas miúdas, que crescem menos do que o esperado.

Os equipamentos custaram R$ 1,5 milhão e estão em fase de testes para iniciar a operação no próximo período de colheita, que acontece entre os meses de abril e setembro. O produto levará a marca "Pure Juice" e custará entre R$ 8 e R$ 10 por litro no ponto de venda.

A capacidade de produção será de 180 mil litros por mês, mas no primeiro ano a previsão é de um total de 250 mil litros extraídos de 500 toneladas de frutas próprias e de terceiros. Sem adição de açúcar, o produto será pasteurizado, envasado em garrafas de vidro descartáveis de 300 mililitros e de um litro e terá prazo de validade de até seis meses antes de aberto.

Hoje, as laranjas e tangerinas não aproveitadas para consumo de mesa são vendidas pela Gorange para outros produtores de suco por R$ 0,20 por unidade; mas, com o início do processamento próprio, elas vão render seis vezes mais, calcula Rogério.

Os planos da Gorange também envolvem o ingresso no mercado externo nos próximos anos. Segundo o administrador, a empresa está em negociações com um parceiro americano, ao qual cederia uma área na fazenda e, em contrapartida, ambos venderiam a produção nos Estados Unidos, em sociedade.

A operação, entretanto, depende de mudanças nas regras de emissão do certificado fitossanitário brasileiro para que os produtos nacionais sejam aceitos naquele país e na Europa, diz o presidente da Associação dos Citricultores da Fronteira Oeste e da Associação dos Produtores de Mudas de Citros em Ambiente Protegido do Rio Grande do Sul, Naldo Epifânio.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Santa Margarida do Sul (RS)