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Produção de grãos do oeste baiano cresceu 4% em 2011/2012

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Soja e algodão tiveram queda na produtividade com a seca; milho sofreu menos perdas

por Globo Rural On-line

Ernesto de Souza

Mesmo com queda de 5% na produtividade, os produtores de milho do oeste baiano colheram um volume 50% maior do cereal na safra 2011/2012 do que na safra anterior

Os preços favoráveis das commodities agrícolas no cenário mundial, sobretudo do milho e da soja, animam o produtor do Oeste da Bahia. Ainda assim, os resultados não anulam a frustração, principalmente, da expectativa de colheita, que a maior seca da história agrícola do cerrado baiano ocasionou na safra 2011/2012. Segundo o 4º levantamento da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), apesar da seca, a produção de grãos no cerrado baiano cresceu, aproximadamente, 4% ante 2010/2011, chegando a 7.147.158 toneladas na safra que acaba de ser concluída. O algodão e a soja foram as culturas mais afetadas pela estiagem. O milho, que já estava em estágio de produção mais avançado, sofreu menos quando a estiagem iniciou, em meados de fevereiro desse ano.
“O Oeste da Bahia é uma região de grandes dimensões e múltiplas características climáticas. Assim, alguns produtores foram mais afetados que outros. A rotação de culturas com milho, e o uso intensivo de tecnologia, absorveu em parte o impacto da seca. Trata-se de uma região consolidada, capaz de superar adversidades como esta e manter seus produtores em atividade”, avalia o diretor do Conselho Técnico da Aiba, Antonio Grespan.
Algodão
A falta de água afetou a produtividade do algodão, que foi 24% menor em relação à safra 2010/2011. Era esperada uma colheita de 265 arrobas de capulho por hectare e ficou em 204 arrobas por hectare. No total, o Oeste baiano colheu 1.184.670 toneladas de algodão em capulho (473.599 ton. pluma), contra 1.501.992 registradas na safra anterior, representando uma redução de 21%.
“Esse resultado, mais a pressão dos preços da commodity, freou a euforia pela qual vinha passando a cultura nos últimos dois anos, quando o preço chegou a US$2 por libra-peso, o que se refletiu em um aumento de área da ordem de 50% em 2010/2011”, pondera o assessor de Agronegócios da Aiba, Ernani Sabai.
Segundo Sabai, para muitos cotonicultores da região, os custos de produção não foram compensados com o resultado final, e a expectativa é de uma redução de aproximadamente 30% na área em 2012/2013, segundo estimativas da Abapa. O número só será confirmado após a conclusão do primeiro levantamento da Safra 2012/2013, que a Aiba divulgará no próximo mês.
Soja
De modo geral, o produtor recuou de uma colheita de 56 sacas de soja por hectare no ciclo 2010/2011 para 48 sacas nesta safra, uma queda de 14%. A soja foi a segunda cultura mais afetada pela estiagem. A produção fechou em 1.184.670 toneladas, o que equivale a 10% a menos que na safra anterior. Mas, com preços na casa dos US$ 17 o bushel, no mês de setembro, o ânimo dos produtores se mantém elevado.
Apontamentos iniciais de intenção de plantio para a safra 2012/2013 já indicam uma possível migração de áreas de algodão e pastagens, assim como novas aberturas para o plantio da oleaginosa em 2012/2013. Única região de plantio de soja da Bahia, o oeste dedicou 1,15 milhão de hectares de sua área cultivada para a soja.
Milho
O ciclo 2011/2012 foi considerado a maior safra de milho da história do cerrado baiano. Mesmo com a ligeira queda de 5% na produtividade em relação à safra anterior, o Oeste da Bahia colheu 50% mais milho, saindo de 1.496.340 toneladas em 2010/2011, para 2.259.900 em 2011/12.
A área plantada de 243 mil hectares foi quase 60% maior que em 2010/2011, em função de uma virada positiva nos preços do cereal, que por muitos anos estiveram em baixa, assim como de ajustes nos mecanismos federais de comercialização e escoamento do milho, que aumentaram a competitividade do produtor do cerrado.
Pela primeira vez, com a situação favorável de produção e câmbio, foi possível à região exportar parte da produção de milho. Quase toda a safra de milho do oeste baiano é destinado ao mercado dO Nordeste brasileiro.
De acordo com o presidente da Aiba, Walter Horita, a seca nos Estados Unidos, a pior dos últimos 60 anos, juntamente com o aumento da demanda mundial, contribuiu para elevar o preço do milho a níveis nunca antes atingidos. “A demanda mundial de milho para o consumo humano e animal aumentou muito. Some-se a isso a matriz energética dos EUA, que produz etanol a partir do cereal”, explica Horita.
Café

O clima seco também afetou o rendimento do café, que teve redução em torno de 9% na produtividade. O cafeicultor do cerrado colheu em média 40 sacas por hectare. Com isso, a produção final ficou em 31.841 toneladas do grão. A área vem se mantendo estável em 13.234 hectares produtivos e, aproximadamente, 2.300 hectares, em formação e/ou renovação.
Participaram da reunião de fechamento, além da Aiba, Adab, Abapa, Abacafé, Fundação Bahia, Sindicato Rural de Barreiras, e Cargill.

Fonte: Globo Rural