Produção de cana, em contrapartida, costuma sofrer com o fenômeno

Além de destacar os possíveis reflexos da ocorrência do El Niño sobre a produção de grãos de países como Estados Unidos, Brasil, Argentina e China (ver matéria El Niño pode favorecer colheitas de grãos), o estudo da consultoria FCStone também lembra que o fenômeno climático costuma ter efeitos deletérios sobre a produção de cana, e consequentemente sobre a oferta de açúcar, em diversas regiões do planeta.

No caso do Brasil, que lidera a oferta mundial da commodity, o fenômeno pode provocar chuvas durante o inverno na região Centro-Sul, que, se confirmadas, tendem a atrapalhar a colheita da matéria-prima, diminuir a capacidade de processamento e, ainda, reduzir a concentração de açúcares nas plantas por conta da maior umidade no solo.

No entanto, a consultoria pondera que, para que isso influencie o mercado de forma expressiva, "seria necessário um volume muito grande de chuvas durante a temporada mais seca do ano, devido a um El Niño muito intenso, para prejudicar significativamente a produção de açúcar".

O fenômeno também altera o clima no Sudeste Asiático, reduzindo o regime de chuvas tanto na Índia como na Tailândia, também importantes produtores mundiais de açúcar, e limitando a produtividade dos canaviais. Porém, a correlação entre menos precipitações e produção reduzida não é direta, uma vez que os dois países conseguem manter produtividades elevadas apesar de monções irregulares. Em ambos, o fenômeno deverá ter reflexos "moderados" sobre a produção, segundo a consultoria.

A FCStone ressalta, ainda, que embora o fenômeno possa reduzir a produção de açúcar nesta safra, o movimento poderá não se traduzir em preços imediatamente mais elevados. No ano passado, as especulações em torno da possibilidade de ocorrência de El Niño provocaram forte reação no mercado, mas sua não concretização derrubou as cotações.

Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos | De São Paulo